AS RELAÇÕES ENTRE OS ARTESÃOS FILIGRANEIROS DE NATIVIDADE, TOCANTINS E O TURISMO

Resumo

A cidade de Natividade fica no Tocantins, sendo a primeira localidade tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) no Estado. Um traço que codifica a cidade, considerada um patrimônio cultural imaterial por seus moradores é a secular fabricação de joias utilizando a técnica da filigrana, que consiste em curvar e trançar fios de ouro ou prata, formando grãos. No que diz respeito ao turismo, ficou descortinada a tendência a visitação às ourivesarias por parte de visitantes que valorizam o turismo cultural. Tal fato mobiliza a economia da cidade e atrai dividendos. O objetivo principal deste trabalho foi investigar como a as joias tradicionais e/ou filigranadas de Natividade marcam a relação da sociedade com o lugar, dinamizando as relações sociais e econômicas das pessoas. A pesquisa está inserida na perspectiva da geografia cultural e teve como principais conceitos abordados: patrimônio, identidade, turismo e o lugar.  No que se refere à metodologia, a pesquisa foi realizada através da abordagem qualitativa bola de neve. No total, entrevistou-se 44 pessoas, entre ourives, ex-ourives, aprendizes, moradores e sujeitos ligados ao turismo local. Fez-se uso também da pesquisa documental. Percebeu-se que passado e presente continuam entrelaçados como tênues fios que dão origem as peças em filigrana, e que essa manifestação artística, além de simbolizar, também fortalece o espaço em que está inserido.

Biografia do Autor

Wátila Fernandes Bonfim, Seduc-TO;Semed-Dianópolis

É graduado em História (UFT), pós-graduado em História Social (UFT) e mestre em Geografia (UFT).

Rosane Balsan, Universidade Federal do Tocantins

É Doutora em Geografia, professora do mestrado em Geografia (UFT). Trabalha com geografia do turismo e patrimônio histórico.

Referências

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Publicado
2020-03-01