MULHERES NÃO DEVEM SORRISOS: ARTE URBANA FEMINISTA E O DISCURSO DAS EMOÇÕES

  • Marielen Baldissera Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Resumo

Neste artigo analiso o trabalho de duas artistas que produzem arte urbana relacionada a questões de gênero e que tem como ponto de partida situações de violência. São elas Panmela Castro (Brasil) e Tatyana Fazlalizadeh (EUA). É objeto de reflexão o modo como algumas emoções, como raiva e medo, aparece em seus discursos e de que maneira se entrelaçam com o fato de elas serem mulheres negras que ocupam o espaço público politicamente. As divisões dicotômicas mulher/emoção/espaço privado e homem/razão/espaço público são abordadas e, também, sua utilização como instrumentos de dominação. Existe o consenso ocidental de que mulheres são naturalmente mais emotivas e suscetíveis ao descontrole do que os homens. Sendo assim, investigo a abordagem que a antropologia desenvolve a partir da micropolítica das emoções, que, nos casos analisados, aparecem como potência para alterar a dimensão macrossocial. Investigo em que local os feminismos e as artistas feministas colocam a raiva em seus discursos antissexistas e antirracistas e, como a utilizam como combustível para agir de forma política e militante, criando peças de arte e protesto. Elas partem de experiências pessoais e provocam reações coletivas e individuais, gerando incômodo e reflexão em um mundo de verdades estabelecidas masculinas e brancas. Realizei esta pesquisa por meio de consulta de material disponível online, acessando entrevistas, vídeos, fotografias e o conteúdo dos sites oficiais das artistas.

Biografia do Autor

Marielen Baldissera, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Doutoranda em Antropologia Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (PPGAS/UFRGS), bolsista CAPES. Mestra em Artes Visuais na linha de Poéticas Visuais e Bacharela em Artes Visuais pela UFRGS.

Publicado
2020-08-13
Seção
Dossiê: Arte e Gênero