“CHORA, JORNALISTA”

TWEETS DO CLÃ BOLSONARO SOBRE IMPRENSA E JORNALISMO

Resumo

Este artigo descreve e analisa as formas de crítica à imprensa e ataque à identidade profissional de jornalistas existentes em tweets de Jair Bolsonaro e seus três filhos, Carlos Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e Flávio Bolsonaro. O objetivo é descrever e analisar as críticas à imprensa e os ataques à identidade profissional de jornalistas publicadas nos seus respectivos perfis. Foram arquivadas 621 postagens feitas pelos políticos nos primeiros 15 dias de março de 2020, das quais 135 apresentaram conteúdos pertinentes ao recorte temático proposto. A análise aponta o protagonismo exercido pelas redes sociais digitais na mediação do debate público político. Resgata as relações que têm sido estabelecidas historicamente no Brasil entre o poder político e a imprensa, sobretudo no que toca à identidade profissional dos jornalistas. Reflete sobre a imprensa como instituição que historicamente ocupou o papel de Poder Moderador e supostamente garantidor da democracia. A partir da observação do conteúdo dos tweets arquivados, este trabalho identificou três finalidades principais nas publicações do clã: atacar a imprensa tradicional em geral, atacar veículos de comunicação específicos e atacar individualmente jornalistas. Constatou-se que o presidente e seus filhos tentam esvaziar a credibilidade da imprensa e atuam para fazer de seus perfis nas redes sociais os únicos meios fidedignos para informar a população sobre política.

Biografia do Autor

Luiz Felipe Zago, Universidade Luterana do Brasil

Professor Permanente do Programa de Pós-Graduação em Educação, na Linha de Pesquisa Pedagogias e Políticas da Diferença, e Professor do Curso de Comunicação Social - Jornalismo da Universidade Luterana do Brasil (Campus Canoas). Graduado em Comunicação Social pela Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2006), Mestre (2009) e Doutor (2013) em Educação pelo Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Educação da UFRGS na Linha de Pesquisa em Educação, Sexualidade e Relações de Gênero. Já atuou como jornalista e assessor de comunicação. Foi coordenador e consultor de projetos de prevenção às infecções sexualmente transmissíveis, HIV/Aids entre homens que fazem sexo com homens das cidades de Porto Alegre e região metropolitana, tendo sido militante no movimento LGBTQIA+ durante 6 anos. Atuou como consultor técnico na Coordenação Geral de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas do Ministério da Saúde da Brasil. Suas áreas de interesse são relações de gênero, corpo, sexualidade, Direitos Humanos, produção de subjetividades, redes sociais na internet.

Matheus Henrique da Fonseca de Oliveira, Universidade Luterana do Brasil

Graduado em Comunicação Social - Jornalismo.

Publicado
2022-02-16