A CONSTRUÇÃO ESCOLAR DA HIPERATIVIDADE: CONTROVÉRSIAS ACERCA DO TRABALHO DE DIAGNÓSTICO E INTERVENÇÃO EM TORNO DE JOVENS COM PHDA EM ESCOLAS PORTUGUESAS

  • João Monteiro Feijão Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa/Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais da Universidade Nova de Lisboa (CICS.NOVA)
  • Nélia Martins Freitas Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa

Resumo

Este artigo resulta de um trabalho de pesquisa em torno do tratamento e do diagnóstico da Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA) em jovens nas escolas portuguesas. Mais concretamente, procurámos compreender a construção escolar que é feita pelos profissionais de ensino e pelos técnicos educativos sobre estes alunos, como é realizado o trabalho de diagnóstico e intervenção quotidiana sobre os mesmos, bem como identificar os acordos e desacordos existentes entre os professores e os técnicos quando estes justificam e defendem o seu ponto de vista sobre a melhor forma de intervir sobre cada caso. A abordagem teórica privilegiada é a sociologia pragmática de Luc Boltanski e Laurent Thévenot, que nos permite perceber como os atores sociais experienciam as situações em que estão envolvidos, concebendo-os como competentes e capazes de emitir pontos de vista críticos para ajuizar situações e expressar os seus sentimentos de (in)justiça. Os principais resultados, obtidos nesta pesquisa, refletem um aumento dos diagnósticos desta patologia, existindo contudo algumas dúvidas na qualidade e fiabilidade dos mesmos. Foi possível concluir igualmente que a perceção dos professores se altera quando o aluno é diagnosticado, praticando-se uma inclusão escolar depois da exclusão e da construção de uma identidade deteriorada no contexto da sala de aula. Relativamente às formas de tratamento desta patologia no contexto escolar registaram-se algumas críticas ferozes à comunidade cientifica pela inexistência de consensos e definição do que é um aluno hiperativo e/ou com défice de atenção. Em relação à sua relevância social e científica, este estudo permite uma compreensão mais alargada da realidade em que estes jovens vivem no contexto escolar, sendo útil tanto para professores, como para técnicos educativos, familiares com filhos com o mesmo problema e para investigadores que se dediquem à problemática da regulação de comportamentos e da reparação de alunos com identidades deterioradas nas escolas.

Biografia do Autor

João Monteiro Feijão, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa/Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais da Universidade Nova de Lisboa (CICS.NOVA)

Sociólogo.Estudante de Doutoramento em Sociologia, com especialidade em Sociologia da Educação, do Conhecimento e da Cultura na FCSH-UNL. Investigador colaborador no Centro Interdisciplinar em Ciências Sociais da Universidade Nova de Lisboa no grupo de trabalho "Ação Pública e Desigualdades Sociais". Participa em projetos de investigação nas áreas da sociologia da educação, sociologia da saúde e sociologia das profissões.

 

Nélia Martins Freitas, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa
Socióloga. Mestre em Sociologia com especialidade em comunidades e dinâmicas sociais. Os seus interesses de investigação cruzam os domínios da sociologia da educação e da sociologia da saúde.
Publicado
2015-05-09
Seção
Artigos