A sociologia e o preconceito racial no Brasil: contribuições de Thales de Azevedo e da UNESCO

  • Rute Mirão Sanchez

Resumo

O presente artigo tem por objetivo ressaltar a importância histórica de Thales de Azevedo
(1904-1995) no âmbito das Ciências Sociais, enveredando por sua trajetória como
cientista da saúde. Formado em Medicina, aproxima-se das Ciências Sociais quando atua
no interior do Estado da Bahia como médico sanitarista e percebe a relação existente entre
as doenças e as questões sociais, validando a existência desta mesma ciência e sua
importância. As pesquisas realizadas revelaram importantes resultados, dentre os quais o
de que as aparências podem ser deveras enganadoras. Pesquisas são instrumentos
poderosos, por vezes com desfechos imprevisíveis, algo que deve ser considerado
principalmente por instituições quando intentam validar teorias e pressupostos, sem
considerarem a possibilidade de resultados diferentes daquele previsto. Exatamente o que
iria acontecer com as pesquisas deste consagrado autor culminando na composição de O
Povoamento da cidade do Salvador e, também, de seu livro As Elites da cor. A
interpretação de abordagem sociológica sobre o preconceito de raça no Brasil, sob a
perspectiva observada por Thales de Azevedo, através de sua participação no projeto
UNESCO, se torna muito importante na trajetória de consolidação das Ciências Sociais
no Brasil, tanto na sua prática como cientista quanto na sua atuação no meio acadêmico.
Adicionalmente, cabe ainda, neste trabalho, uma pequena, mas não menos importante,
reflexão sobre os desdobramentos históricos e efeitos destes estudos das relações raciais
na sociedade brasileira da época e seus reflexos na atual conjuntura. A metodologia de
pesquisa utilizada por Thales de Azevedo foi a pesquisa participante, onde o pesquisador
está, não só no ambiente, mas também na história desta realidade que é vivida e
apreendida, ou seja, há envolvimento e identificação com o objeto. O resultado do estudo
etnográfico realizado conduziu Thales de Azevedo ao desfecho impactante e inquietante
para aqueles que buscavam uma validação de suas teorias sobre a suposta democracia
racial brasileira. Provando que as diferenças, conflitos, barganhas e negociações para
mudança de posição negavam a existência pacífica de uma democracia racial brasileira.

Publicado
2020-06-15