A EDUCAÇÃO ESCOLAR INDÍGENA E AS POLÍTICAS LINGUÍSTICAS PARA O PLURILINGUISMO: UMA BREVE ANÁLISE DO CASO TE’YKUE

Resumo

Os objetivos deste estudo são analisar os avanços das políticas nacionais em prol da pluralidade cultural e linguística indígena e verificar como uma determinada aldeia, no estado de Mato Grosso do Sul, traduz essas políticas em práticas transformadoras da sua realidade local. Para embasar este estudo, traremos para discussão algumas políticas públicas e políticas linguísticas, sobretudo aquelas voltadas para os grupos minoritários brasileiros que incluem os povos indígenas. Além disso, abordaremos os pressupostos da Educação Escolar Indígena no Brasil, bem como um dos seus princípios gerais: língua materna e bilinguismo. Dentre os resultados, destacamos a educação bilíngue de manutenção praticada na aldeia Te’ykue que procura acolher a língua minoritária para reforçar a identidade cultural da criança e da comunidade a que pertence.

Palavras-chave: Políticas Linguísticas. Bilinguismo indígena. Língua minoritária. Educação Indígena. Ensino de Línguas.

Biografia do Autor

Patrícia Graciela da ROCHA, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul - UFMS

Doutora em Linguística pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Professora do Programa de Pós-Graduação (mestrado e doutorado) em Estudos de Linguagens da Faculdade de Artes, Letras e Comunicação (FAALC) da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) – Campus Campo Grande – MS. Professora de Linguística, Língua Portuguesa e Práticas de Ensino dos cursos de Letras (presencial e a distância) na mesma instituição.

Rainer Enrique HAMEL, Universidade Autônoma Metropolitana - UAM/México

Doutor em Filosofia (Filología románica) pela Universidade de Frankfurt, RFA. Professor de Linguística do Departamento de Antropologia da Universidade Autônoma Metropolitana, Unidad Iztapalapa, México, D.F. Ciudad de México. Diretor do Programa “Comunidad Indígena y Educación Intercultural Bilingüe” CIEIB.  Coordenador do Projeto “Políticas del lenguaje en América Latina” da Asociação de Linguística e Filologia da América Latina (ALFAL). Cátedra UNESCO: Políticas del Multilingüismo.

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Publicado
2020-12-30
Seção
Políticas linguísticas: visão panorâmica