SOBRE O PAPEL DA VARIAÇÃO LINGUÍSTICA EM DOCUMENTOS NORMATIVOS REFERENTES À FORMAÇÃO DE PROFESSORES E À EDUCAÇÃO BÁSICA: UMA VISÃO POLÍTICO-EDUCACIONAL

Resumo

Este artigo tem como objetivos apresentar, analisar e discutir a legitimação da variação linguística por meio de documentos oficiais que regem o ensino de português no ensino básico e a formação docente em Letras como parte de políticas públicas e linguísticas promovidas pelo Estado. Tendo isso em vista, tomamos como corpus de análise as Diretrizes Curriculares para os Cursos de Letras e quatro projetos pedagógicos de cursos de Letras-português de universidades públicas como documentos relativos à formação docente em Letras; e como documentos relacionados ao ensino de português no ensino básico, os PCN de Marcslíngua portuguesa, a BNCC e as matrizes de referência do ENEM e da Prova Brasil. Assim, sob os aportes teóricos da Sociolinguística (MONTEAGUDO, 2011; BAGNO, 2007) e nos estudos de Política Linguística (CALVET, 2007; CORREA, 2009; RAJAGOPALAN, 2013), procedemos nossas análises e constatamos que o tema da variação linguística, tanto na formação docente em Letras quanto nas orientações para o ensino de língua portuguesa no ensino básico, é tema abordado e tratado como parte de uma política linguística que visa a uma pedagogia da variação linguística, embora, segundo os sociolinguistas, ainda apresente falhas na forma de praticá-la.

Palavras-chave: Políticas Linguísticas. Variação Linguística. Ensino de Português. Formação Docente em Letras.

Biografia do Autor

José Marcos Ernesto Santana de FRANÇA, Universidade Regional do Cariri - URCA

Doutor em Linguística e pós-doutor na área de Linguística Aplicada; professor do curso de Letras e do Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Regional do Cariri (URCA).

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Publicado
2020-12-30
Seção
Políticas linguísticas: visão panorâmica