CRENÇAS SOBRE O EXAME CELPE-BRAS DE AGENTES ENVOLVIDOS COM O PROGRAMA DE ESTUDANTES-CONVÊNIO DE GRADUAÇÃO (PEC-G)

Resumo

O Programa de Estudantes-Convênio de Graduação (PEC-G) é um programa de cooperação internacional na educação superior estabelecido pelo Brasil em parceria com países em desenvolvimento da América Latina, Caribe, África, Ásia e Europa. Candidatos ao PEC-G podem frequentar cursos de língua portuguesa ofertados por Instituições de Ensino Superior (IES) brasileiras para obter a certificação no Certificado de Proficiência em Língua Portuguesa para Estrangeiros (Celpe-Bras), um dos requisitos para o ingresso efetivo no PEC-G. Neste artigo, analisamos as crenças sobre o Celpe-Bras de agentes envolvidos em um curso de português para candidatos ao PEC-G (estudantes, professoras e coordenadora). Adotamos a noção teórica de mecanismos de política linguística (SHOHAMY, 2006) e realizamos entrevistas semiestruturadas com os agentes. Na análise, utilizamos os aportes da Linguística Textual e da Semântica Argumentativa (KOCH, 2000, 2011). As conclusões apontaram para crenças unânimes dos agentes sobre o Celpe-Bras como altamente exigente, embora com particularidades quanto à interpretação sobre o que seria, de fato, avaliado pelo teste.

Palavras-chave: Política linguística. Português como língua adicional. Celpe-Bras. PEC-G.

Biografia do Autor

Cynthia Israelly Barbalho DIONÍSIO, Universidade Federal da Paraíba - UFPB

Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade Federal da Paraíba (PROLING/UFPB). Bolsista Capes/MEC. Processo n. 88882.182495/2018-01. João Pessoa, Paraíba.

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Publicado
2020-12-30
Seção
Políticas linguísticas: visão panorâmica