POLÍTICAS LINGUÍSTICAS DA LÍNGUA POMERANA EM SANTA MARIA DE JETIBÁ, ESPÍRITO SANTO

Resumo

Neste artigo, pretendemos discutir as políticas linguísticas institucionais que visam à manutenção e à revitalização da língua pomerana em Santa Maria de Jetibá, Espírito Santo, a partir da perspectiva de estudos que abordam a temática da Política Linguística (CALVET, 2002, 2007; LAGARES, 2018) e dos direitos linguísticos (UNESCO, 1996; LAGARES, 2018). Para isso, partimos dos estudos de Morello (2012), Savedra & Höhmann (2013), Bremenkamp (2014) e Mazzelli (2018), que discutem a situação linguística da língua pomerana no referido município, e analisamos as políticas linguísticas do local a partir de leis municipais. Sustentamos que as políticas linguísticas voltadas para o uso da língua pomerana em Santa Maria de Jetibá são resultado da luta por direitos linguísticos dos seus falantes e que essas políticas tanto ajudam a promover a manutenção da língua, como também fortalecem a identidade linguística de descendentes de pomeranos na localidade.

Palavras-chave: Política linguística. Direitos linguísticos. Língua pomerana.

Biografia do Autor

Leticia MAZZELLI, Universidade Federal Fluminense - UFF/Niterói

Doutoranda em Estudos de Linguagem pelo Programa de Pós-graduação em Estudos de Linguagem da Universidade Federal Fluminense (UFF), Niterói, Rio de Janeiro, Brasil. Bolsista CAPES.

Mônica Maria Guimarães SAVEDRA, Universidade Federal Fluminense - UFF

Professora Associada da Universidade Federal Fluminense (UFF), Doutora em Linguística pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Pós-doutorado pela Universität Duisburg-Essen. Pesquisadora do CNPq e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ).

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Publicado
2020-12-30
Seção
Políticas linguísticas: visão panorâmica