UNESCO E A EDUCAÇÃO MULTILÍNGUE: REVISÕES E PROBLEMATIZAÇÕES

Resumo

Este texto apresenta e discute a proposta de educação multilíngue da UNESCO. Com vistas a aprofundar a compreensão sobre mutlinguismo – em diálogo com a visão acadêmica – o texto apresenta, na segunda parte, revisões e problematizações contemporâneas sobre o conceito de multilinguismo e educação multilíngue, especialmente após o chamado giro multilíngue (multilingual turn). Tendo como pano de fundo os direitos humanos e linguísticos, o texto reconhece o papel e importância dos discursos internacionais institucionalizados sobre direitos linguísticos em favor da diversidade linguística; contudo, argumenta a favor do cuidado conceitual necessário, no campo da política, com o que se entende por língua, evitando reificações e visões ficcionalizadas e romantizadas sobre o multilinguismo. Defende-se um olhar contextualizado, comparado, crítico e engajado com a pluralidade, fazendo com que o diálogo e os tensionamentos se sobreponham a uma visão técnica, instrumental, funcional de políticas linguísticas.

Palavras-chave: Multilinguismo. Educação. UNESCO. Direitos linguísticos. Crítica.

Biografia do Autor

Cristine Gorski SEVERO, Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC

Docente da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e do Programa de Pós-Graduação em Linguística, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil. Bolsista do CNPq. Doutorado em Teoria e Análise Linguística e em Interdisciplinaridade em Ciências Humanas. Pós-doutorado em Políticas Linguísticas.

Referências

ABREU, Ricardo N. Direito Linguístico: olhares sobre as suas fontes. Revista A Cor das Letras, v. 21, n. 1, p. 155-171, janeiro-abril de 2020.

______. Prolegômenos para a compreensão dos direitos linguísticos: uma leitura a partir da Constituição da República Federativa do Brasil. In: FREITAG, R. M; SEVERO, C. G; GORSKI, E. Sociolinguística e Política Linguística: olhares Contemporâneos. São Paulo: Blucher, 2016, p. 161-188.

APPADURAI, Arjun. Number in the colonial imagination. In: Carol Appadurai Breckenridge; Peter van der Veer. Orientalism and the postcolonial predicament: perspectives on South Asia. Philadelphia: University of Pennsylvania, 1993, p. 114-135.

BAKHTIN, Mikhail. Questões de Literatura e de Estética: a teoria do romance. 6ª ed. São Paulo: Hucitec Editora.

BRUBAKER, Roger. Ethnicity without groups. Archives Européennes de Sociologie, XLIII(2), 2002, p. 163–189. Disponíve em: http://works.bepress.com/wrb/7. Acesso em 04 de maio de 2020.

CANAGARAJAH, Suresh. Translingual Practice: Global Englishes and Cosmopolitan Relations. London/New York: Routledge, 2013.

DOYTCHEVA, Milena. “White Diversity”: Paradoxes of Deracializing Antidiscrimination. Soc. Sci., v. 9, 2020, p. 1-19.

FOUCAULT, Michel. A ordem do discurso: aula inaugural no Collège de France, pronunciada em 2 de dezembro de 1970. Trad. Laura F. A. Sampaio. Campinas: Loyola, 1998.

GARCIA, Ofelia; SKUTNABB-KANGAS, Tove; TORRES-GUZMAN, Maria. Imagining Multilingual Schools: Languages in Education and Glocalization. Bristol: Multilingual Matters, 2006.

GARCIA, Ofelia; WEI, Li. Translanguaging: Language, Bilingualism and Education. London: Palgrave Macmillan UK: 2014.

GARCIA, Ofelia. Bilingual Education in the 21st Century: A Global Perspective Hoboken: Wiley-Blackwell, 2008.

HÉLOT, Christine; Ó LAOIRE, Muiris. Language Policy for the Multilingual Classroom: Pedagogy of the Possible. Bristol: Multilingual Matters, 2011.

JACQUEMET, Marco. Transidiomatic practices: Language and power in the age of globalization. Language & Communication, 25, 2005, p. 257–277.

JØRGENSEN, J. Normann. Polylingual Languaging Around and Among Children and Adolescents. International Journal of Multilingualism, 5, 3, 2008, p. 161-176.

JUFFERMANS, Kasper; ASFAHAN, Yonas; ABDELHAY, Ashraf. African Literacies: Ideologies, Scripts, Education. New Castle Upon-Tyne: Cambridge Publishing Scholars, 2014.

LIN, Angel M. Y.; MARTIN, Peter. Decolonisation, Globalisation: Language-in-education Policy and Practice. Bristol: Multilingual Matters, 2005.

MAY, Stephen. The Multilingual Turn: Implications for SLA, TESOL, and bilingual education.London and New York: Routledge, 2013.

MAKONI, Sinfree; MEINHOF, Ulrike. Western perspectives in applied linguistics in Africa. AILA Review, 17, 2004, p. 77-104.

MAKONI, Sinfree. Language and human rights discourses in Africa: lessons from the African experience. Journal of Multicultural Discourses, 1, p.1–20, 2011.

______. Da linguística humana ao sistema ‘d’ e às ordens espontâneas: uma abordagem à emergência das línguas indígenas africanas. Revista da ABRALIN, v. 17, n. 2, 19 jun., p.376-419, 2019.

MATUS, Claudia. Ethnography and Education Policy: A Critical Analysis of Normalcy and Difference in Schools. Singapore: Springer Singapore, 2019.

MCCARTY, Teresa L. Language, Literacy, and Power in Schooling. Abingdon: Routledge, 2005.

MCCARTY, Teresa; MAY, Stephen. Language Policy and Political Issues in Education. New York: Springer International Publishing, 2017.

OTSUJI, Emi; PENNYCOOK, Alastair. Metrolingualism: fixity, fluidity and language in flux. International Journal of Multilingualism, 7, 3, p. 240-254, 2009.

PENNYCOOK, Alastair; MAKONI, Sinfree. Innovations and Challenges in Applied Linguistics from the Global South. Abingdon: Routledge, 2020.

SEVERO, Cristine G.; MAKONI, Sinfree. Solidarity and the Politics of us: how far can individual go in language policy? Research methods in non-werstern contexts. In: Jim McKinley; Heath Rose (Orgs.) The Routledge Handbook of Research Methods in Applied Linguistics. London: Routledge, 2020.

SEVERO, Cristine Gorski. Políticas Patrimoniais e Projetos Nacionalistas: Línguas e Brasilidade em tela. In: Raquel Meister Ko. Freitag; Cristine Gorski Severo; Edair Maria Görski. (Org.). Sociolinguística e Política: Linguística Olhares Contemporâneos. 1ed.São Paulo: Blucher, 2016, p. 189-203.

______. Língua portuguesa como invenção histórica:brasilidade, africanidade e poder em tela. Working Papers em Linguística, v. 16, n. 2, p. 35-61, 2015.

SIMPSON, James; WHITESIDE, Anne. Adult Language Education and Migration: Challenging agendas in policy and practice. Abingdon: Routledge, 2015.

STROUD, Christopher. African mother-tongue programmes and the politics of language: Linguistic citizenship versus linguistic human rights. Journal of Multilingual and Multicultural Development, 22, p. 339-355, 2001.

UNESCO. Education in a multilingual world. Paris: United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization, 2003. Disponível em https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000129728. Acesso em 04 de maio de 2020.

UNESCO. Declaração Universal dos Direitos Linguísticos, 1996. Disponível em: https://culturalrights.net/descargas/drets_culturals389.pdf.

VANDENBERGHE, F. (2015). Reification: History of the Concept. International Encyclopedia of the Social & Behavioral Sciences, 2015, p. 203-206. DOI: https://doi.org/10.1016/b978-0-08-097086-8.03109-3.

VEIGA-NETO, Alfredo; LOPES, Maura Corcini. Education and Pedagogy: a Foucauldian perspective. Educational Philosophy and Theory, v. 48, p. 1-8, 2016.

ZANONI, Patrizia; JANSSENS, Maddy; BENSCHOP, Yvonne; NKOMO, Stella. Unpacking diversity, grasping inequality: Rethinking difference through critical perspectives. Organization, v. 17, n. 1, 2010, p. 9-29.

ZSIGA, Elizabeth; BOYER, One Tlale; KRAMER, Ruth. Languages in Africa: Multilingualism, Language Policy, and Education. Georgetown: Georgetown University, 2015.

Publicado
2020-12-30
Seção
Direitos linguísticos: abordagens teóricas e estudos de caso