POLÍTICAS DE TRADUÇÃO E DE INTERPRETAÇÃO: DIÁLOGOS EMERGENTES

Resumo

A interpretação comunitária pode oferecer importantes subsídios para as políticas de tradução e de interpretação de línguas de sinais. Nesse sentido, buscam-se, neste artigo, argumentos nas políticas e nos direitos linguísticos para mostrar a articulação entre esses campos de saber e suas possíveis contribuições. Com base em uma abordagem qualitativa, de cunho descritivo-documental, apresenta-se um levantamento preliminar das leis sobre tradutores e intérpretes de línguas de sinais no âmbito da interpretação comunitária; da produção acadêmica sobre tradução e interpretação de línguas de sinais no âmbito dos Programas de Pós-Graduação em Estudos da Tradução e das questões profissionais (documentos orientadores produzidos pelas entidades representativas) no que tange à tradução e à interpretação de línguas de sinais no âmbito comunitário. Os resultados iniciais podem contribuir na visibilidade da interpretação comunitária como propulsora de políticas de tradução e de interpretação, tomando como exemplo o percurso trilhado pelas línguas de sinais no Brasil.

Palavras-chave: Políticas de tradução e de interpretação. Interpretação comunitária. Políticas linguísticas. Direitos linguísticos.

Biografia do Autor

Silvana Aguiar dos SANTOS, Universidade Federal do Ceará - UFC

Doutora em Estudos da Tradução pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), docente do Programa de Pós-Graduação em Estudos da Tradução da UFSC e do Programa de Pós-Graduação em Estudos da Tradução da Universidade Federal do Ceará (UFC).

Nanci Cecília de Oliveira VERAS, Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC

Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Engenharia e Gestão do Conhecimento na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Psicóloga da Prefeitura Municipal da Palhoça – Santa Catarina.

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Publicado
2020-12-30
Seção
Políticas linguísticas das línguas de sinais