POLÍTICAS DE LÍNGUAS DE SINAIS: A INCLUSÃO LINGUÍSTICA EM UMA PERSPECTIVA TRANSNACIONAL

Resumo

No final do século XX, é possível observar uma crescente proliferação do reconhecimento legal das línguas de sinais. O objetivo deste artigo é discutir sobre políticas de línguas de sinais a partir da grade de inteligibilidade da inclusão linguística. Com base em autores que discutem a inclusão desde uma perspectiva pós-estruturalista, bem como em autores da Política Linguística, a discussão opera sobre o eixo da gestão linguística e toma como materialidade observável um conjunto de políticas explícitas de reconhecimento legal de línguas de sinais de 46 países. A partir dessa discussão, assume-se que a inclusão linguística das línguas de sinais constitui práticas de governamento das populações de pessoas surdas em um território nacional.

Palavras-chave: Políticas linguísticas. Reconhecimento legal. Línguas de sinais. Surdos. Inclusão linguística.

Biografia do Autor

Pedro Henrique WITCHS, Universidade Federal do Espírito Santo - UFES

Doutor em Educação; Departamento de Línguas e Letras e Programa de Pós-Graduação em Linguística; Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória, ES, Brasil.

Referências

ARNOLD, Delci Knebelkamp. Dificuldades de aprendizagem: o estado de corrigibilidade na escola para todos. 2006. 172 f. Dissertação (Mestrado em Educação) – Programa de Pós-Graduação em Educação, Universidade do Vale do Rio dos Sinos, São Leopoldo, 2006. Disponível em: http://biblioteca.asav.org.br/vinculos/tede/Dificuldades%20de%20aprendizagem.pdf. Acesso em: 25 jan. 2021.

BENVENUTO, Andrea; SÉGUILLON, Didier. Primeiros banquetes dos surdos-mudos no surgimento do esporte silencioso 1834-1942: por uma história política das mobilizações coletivas dos surdos. Moara, n. 45, p. 60-78, set. 2016. Disponível em: http://dx.doi.org/10.18542/moara.v1i45.3707. Acesso em: 25 jan. 2021.

BERENBLUM, Andrea. A invenção da palavra oficial: identidade, língua e escola em tempos de globalização. Belo Horizonte: Autêntica, 2003.

CONAMA, John Bosco. Situating the socio-economic position of Irish Deaf community in the equality framework. Equality, Diversity and Inclusion: An International Journal, v. 32, n. 2, p. 173-194, 2013. Disponível em: https://doi.org/10.1108/02610151311324406. Acesso em: 25 jan. 2021.

DECROSSE, Anne. Um mito histórico, a língua materna. In: VERMES, Geneviève; BOUTET, Josiane (Orgs.). Multilinguismo. Campinas: Editora da Unicamp, 1989. p. 19-29.

DE MEULDER, Maartje. The Legal Recognition of Sign Languages. Sign Language Studies, v. 15, n. 4, p. 498-506, 2015. Disponível em: https://www.jstor.org/stable/26191000. Acesso em: 25 jan. 2021.

HLIBOK, Tawny Holmes. Language Policy in the Context of Sign Languages and Deaf Community Activism. Llengua, Societat i Comuunicació, n. 16, p. 54-62, 2018. Disponível em: https://doi.org/10.1344/LSC-2018.16.7. Acesso em: 25 jan. 2021.

JANSON, Tore. A história das línguas: uma introdução. São Paulo: Parábola Editorial 2015.

LANE, Harlan. A máscara da benevolência: a comunidade surda amordaçada. Lisboa: Instituto Piaget, 1992.

LANE, Harlan; PILLARD, Richard C.; HEDBERG, Ulf. The People of the Eye: deaf ethnicity and ancestry. New York: Oxford University Press, 2011.

LOPES, Maura Corcini. Políticas de inclusão e governamentalidade. Educação & Realidade, v. 34, n. 2, p. 153-169, 2009. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/educacaoerealidade/article/view/8297. Acesso em: 25 jan. 2021.

LOPES, Maura Corcini; FABRIS, Eli Henn. Inclusão & Educação. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2013.

FOUCAULT, Michel. Segurança, território, população: curso dado no Collège de France (1977-1978). São Paulo: Martins Fontes, 2008.

McDONNELL, Patrick. Disability, Deafness and Ideology in the Twentieth and early Twenty-first Centuries. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 41, n. 3, p. 777-788, 2016. Disponível em: https://doi.org/10.1590/2175-623661091. Acesso em: 25 jan. 2021.

NASCIMENTO, Gabriel Silva. A língua própria do surdo: a defesa da língua a partir de uma subjetividade surda resistente. 2019. 97 f. Dissertação (Mestrado em Educação) – Programa de Pós-Graduação em Educação, Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória, 2019. Disponível em: http://dspace3.ufes.br/handle/10/11378. Acesso em: 25 jan. 2021.

PADDEN, Carol. Translating Veditz. Sign Language Studies, v. 4, n. 3, p. 244-260, 2004. Disponível em: https://www.jstor.org/stable/26190749. Acesso em: 25 jan. 2021.

QUADROS, Ronice Müller de. Language Policies and Sign Languages. In: TOLLEFSON, James; PÉREZ-MILANS, Miguel (Eds.). The Oxford Handbook of Language Policy and Planning. Oxford University Press: Oxford, 2018. Disponível em: https://doi.org/10.1093/oxfordhb/9780190458898.013.15. Acesso em: 25 jan. 2021.

RODRIGUES, José Raimundo. As seções de surdos e de ouvintes no Congresso de Paris (1900): problematizações sobre o pastorado e a biopolítica na educação de surdos. 2018. 202 f. Dissertação (Mestrado em Educação) – Programa de Pós-Graduação em Educação, Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória, 2018. Disponível em: http://repositorio.ufes.br/handle/10/10846. Acesso em: 25 jan. 2021.

RODRIGUES, José Raimundo; VIEIRA-MACHADO, Lucyenne Matos da Costa; VIEIRA, Eliane Telles de Bruim. Congresso de Paris (1900): a seção de surdos e sua atualidade em relação à educação de surdos. Revista Brasileira de História da Educação, v. 20, n. 1, 2020. Disponível em: https://doi.org/10.4025/rbhe.v20.2020.e095. Acesso em: 25 jan. 2021.

SEVERO, Cristine Gorski. A diversidade linguística como questão de governo. Calidoscópio, v. 11, n. 2, p. 107-115, mai./ago. 2013. Disponível em: http://revistas.unisinos.br/index.php/calidoscopio/article/view/cld.2013.112.01. Acesso em: 25 jan. 2021.

SILVA, Rodrigo Manoel Dias da. Educação, identidades e diversidades: uma análise da Declaração Universal sobre Diversidade Cultural. Quaestio, Sorocaba, v. 17, n. 2, p. 371-385, nov. 2015. Disponível em: http://periodicos.uniso.br/ojs/index.php/quaestio/article/view/2395. Acesso em: 25 jan. 2021.

SPOLSKY, Bernard. Para uma Teoria de Políticas Linguísticas. ReVEL, v. 14, n. 26, p. 32-44, 2016. Disponível em: http://www.revel.inf.br/files/f69d74cdefbd9c6efb801010f2ac8b13.pdf. Acesso em: 25 jan. 2021.

STOKOE, William. Sign Language Structure: An Outline of the Visual Communication Systems of the American Deaf. Journal of Deaf Studies and Deaf Education, v. 10, n. 1, p. 3-37, 2005. Disponível em: https://doi.org/10.1093/deafed/eni001. Acesso em: 25 jan. 2021.

UNESCO. Universal Declaration of Linguistic Rights. Barcelona: World Conference on Linguistic Rights Barcelona, 1996. Disponível em: https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000104267. Acesso em: 25 jan. 2021.

VEDITZ, George. Preservation of Sign Language. National Association of the Deaf. EUA. 14 min. 1913. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=XITbj3NTLUQ. Acesso em: 14 mar. 2020.

WRIGLEY, Owen. The Politcs of Deafness. Washington, D.C.: Gallaudet University Press, 1996.

Publicado
2020-12-30
Seção
Políticas linguísticas das línguas de sinais