A CONDIÇÃO HETEROGÊNEA DA FORMAÇÃO DISCURSIVA E A FRAGMENTAÇÃO DA FORMA-SUJEITO: UM SUJEITO “DIVIDIDO” ENTRE AS QUESTÕES IDEOLÓGICAS E A CIÊNCIA

  • Rubiamara Pasinatto Seduc/ RS
Palavras-chave: Contradição, Formação Discursiva, Forma-sujeito, Fragmentação da Forma-sujeito, Posições-sujeito

Resumo

Este estudo toma como aporte teórico-metodológico a Análise de Discurso Francesa, e parte do pressuposto de que uma formação discursiva (FD) tem fronteiras porosas, o que possibilita o atravessamento de saberes e nos permite dizer que a FD pode ser lugar de igualdade, mas também pode abrigar a diferença e a contradição. A partir disso, amparados em Indursky (2008), propomos um deslocamento de algumas questões teóricas, principalmente naquilo que tange à fragmentação da forma-sujeito da FD, o que implica admitir que assim como a formação discursiva, a forma-sujeito também é heterogênea, isto é, abriga a diferença e a ambiguidade em seu interior. Em consequência disso, a forma-sujeito é espaço para várias posições-sujeito, as quais vão se delineando conforme há distanciamento dos saberes que organizam a posição-sujeito dominante. Diante dessa perspectiva, pautados nesta possibilidade de deslocar a teoria, este artigo tem o objetivo analisar as contradições e tensionamentos discursivos presentes em uma declaração do ex-ministro-chefe da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos. Em específico, o corpus está relacionado ao episódio no qual, sem saber que a reunião do Conselho Federal de Saúde Suplementar estava sendo transmita via internet, Ramos declarou ter sido imunizado para a Covid-19, embora não era a orientação, conforme o próprio ex-ministro revelou. 

 

Referências

ACHARD, Pierre et al. Papel da memória. Tradução e introdução José Horta Nunes. Campinas, SP: Pontes, 1999.

COURTINE, Jean-J. Análise do discurso político: o discurso comunista endereçado aos cristãos. Tradução Cristina de Campos Velho, Didier Martin, Maria Lúcia Meregalli, [et al.]. São Carlos, SP: EdUFSCar, 2014.

FOUCAULT, M. (1969). A arqueologia do saber. Tradução Luiz Felipe Baeta Neves. 5. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1997.

INDURSKY, F. 2008. Unicidade, desdobramento, fragmentação: a trajetória da noção de sujeito em Análise do Discurso. In: Solange Mittmann; Evandra Grigoletto; Ercília Ana Cazarin (Orgs.). Práticas discursivas e identitárias: sujeito e língua. Porto Alegre: Nova Prata, pp. 9-33.

______. O teatro do grotesco como cenário da desconstrução do Brasil. Revista da ABRALIN, v. 19, n. 3, p. 365-388, 17 dez. 2020. Disponível em: https://revista.abralin.org/index.php/abralin/article/view/1730#headerAbralin. Acesso em: 05 agosto 2021.

______. Análise de Discurso. In: ORLANDI, Eni; LAGAZZI-RODRIGUES, Suzy (Org.) Discurso e Textualidade. Campinas, SP: Pontes, 2006.

ORLANDI, E. Análise de Discurso: princípios e procedimentos. 8. ed. Campinas, SP: Pontes, 2009.

PÊCHEUX, M.; FUCHS, C. A propósito da Análise Automática do Discurso: atualização e perspectivas (1975). In: GADET, F.; HAK, T. (Org.). Por uma análise automática do discurso: uma Introdução à obra de Michel Pêcheux. 2. ed. Tradução Bethânia S. Mariani et al. Campinas, SP: Unicamp, 1990, p.163-179.

PÊCHEUX, M. Semântica e discurso: uma crítica à afirmação do óbvio. Tradução Eni P. Orlandi et al. 2. ed. Campinas, SP: Unicamp, 1995.

______. Sobre os contextos epistemológicos da Análise de Discurso. In: Pêcheux M. Análise de Discurso: Michel Pêcheux. Textos selecionados por Eni Puccinelli Orlandi. 2ª ed. Campinas: Pontes, 2014.

RAMOS diz que tomou 'escondido' vacina contra Covid e que teme por Bolsonaro não se vacinar. G1, 2021. Disponível em: https://g1.globo.com/politica/noticia/2021/04/27/ramos-diz-que-tomou-escondido-vacina-contra-covid-e-que-teme-por-bolsonaro-nao-se-vacinar.ghtml. Acesso em: 27 maio 2021.

Publicado
2022-07-05
Seção
Dossiê: Estudos Linguísticos