A IMPOSIÇÃO DA MATERNIDADE E O FRACASSO FEMININO NA NIGÉRIA MODERNA EM "FIQUE COMIGO", (2017), DE AYÒBÁMI ADÉBÁYÒ

Palavras-chave: feminismo, feminismo negro, stay with me

Resumo

Analisou-se a obra Fique Comigo, de Ayòbámi Adébáyò, publicada em 2017, focando na obrigatoriedade da maternidade em sociedades patriarcais da Nigéria e a forma como esta se reflete em sucesso ou fracasso das mulheres. Evidenciou-se a representação simbólica do fracasso na protagonista, cuja narrativa revolvendo os empecilhos aparentes em sua vida rumo à maternidade se dá durante a maioria do romance. Voltada ao movimento feminista e seu trajeto histórico, esta análise utilizou aportes teóricos de: Simone de Beauvoir (2019); Michelle Perrot (2019), Heleieth Saffioti (2015), dentre outros. Quanto ao feminismo negro, foram utilizadas obras das teóricas Angela Davis (2016); Djamila Ribeiro (2018); Bell Hooks (2019); dentre outras. Em relação ao feminismo como movimento literário, encontram-se as obras das estudiosas Virginia Woolf (2019) e Elaine Showalter (2014). A análise revelou que a personagem Yejide sofreu grande pressão para engravidar, e somente pela maternidade seu valor foi determinado pela sociedade patriarcal. Consequentemente, projetou suas expectativas de felicidade na maternidade, modelo de sucesso nigeriano, provando a necessidade de discussões com foco no feminismo negro na sociedade patriarcal.

Biografia do Autor

Danielle Fabrício dos Santos, Universidade Federal do Amazonas - Instituto de Educação, Agricultura e Ambiente

Estudante do Curso de Letras - Português e Inglês, na Universidade Federal do Amazonas – UFAM, Humaitá, Amazonas, Brasil.

Elis Regina Fernandes Alves, IEAA- Instituto de educação, agricultura e ambiente da cidade de Humaitá- AM

Doutora em Letras pela Universidade Estadual Paulista (UNESP). Professora Doutora adjunta da Universidade Federal do Amazonas- UFAM, no curso de Letras- Língua e Literaturas Portuguesa e Inglesa no IEAA- Instituto de educação, agricultura e ambiente da cidade de Humaitá- AM, Humaitá, Amazonas, Brasil.

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Publicado
2022-07-05
Seção
Dossiê: Estudos Literários