MODERNIDADE E VANGUARDA EM MALLARMÉ

MODERNITY AND VANGUARD IN MALLARMÉ

  • Andressa Cristina de OLIVEIRA Letras – UNESP/Araraquara
  • Thais de Souza ALMEIDA Letras – UNESP/Araraquara

Resumo

RESUMO: Os termos “moderno” e “vanguarda” percorreram longos caminhos até se encontrarem – e mesmo se entrecruzarem – em meados do século XIX. De acordo com Calinescu, a aliança da modernidade com o tempo, unida à duradoura confiança no progresso, resultou no mito de uma vanguarda autoconsciente e heroica na luta pelo futuro. Adiantando em vinte anos aquele que ficou conhecido como o movimento simbolista, precursor das vanguardas do século XX, Stéphane Mallarmé deu continuidade ao trabalho de Charles Baudelaire e por diversas vezes se mostrou um artista avant la lettre. Este trabalho tem o intuito de pensar de que maneira o poeta Stéphane Mallarmé se fez, ao mesmo tempo, filho da modernidade e patriarca da primeira vanguarda, ainda que não aceitasse o título de bom grado. Para tanto, elaboramos uma introdução abordando os conceitos de “modernidade” e “vanguarda”, valendo-nos das obras de Matei Calinescu, Hans Robert Jauss e Octávio Paz; um estudo acerca da obra do poeta e da colaboração oferecida pela estética mallarmeana às vanguardas do século XIX e XX, partindo de uma de suas obras iniciais Hérodiade – e chegando ao famigerado Un coup de dés, iniciador do poema-tipográfico.

PALAVRAS-CHAVE: Modernidade. Decadentismo francês. Vanguarda. Stéphane Mallarmé. Poesia moderna.

 

ABSTRACT: The concepts of “modern” and “vanguard” traveled long ways to meet – and even merge in the mid-nineteenth century. According to Calinescu, the alliance of modernity with time, united with lasting confidence in progress, resulted in the myth of a self-conscious and heroic vanguard in the fight for the future. Ahead in twenty years who became known as the symbolist movement and precursor of the vanguards of the twentieth century, Stéphane Mallarmé continued the work of Charles Baudelaire and several times showed to be an artist avant la lettre. This work aims to think how the poet Stephane Mallarmé was made at the same time, the son of modernity and the first avant-garde patriarch, although didn’t accept the title gladly. Therefore, we developed an introduction addressing the concepts of “modernity” and “vanguard”, drawing on the works of Matei Calinescu, Hans Robert Jauss and Octavio Paz; a study on the work of the poet and his collaboration to the aesthetic vanguards of the nineteenth and twentieth centuries, from one of his early works – Hérodiade – and reaching the renowed Un coup de dés, initiator of the poem-typographic.

KEYWORDS: Modernity. French decadence. Vanguard. Stéphane Mallarmé. Modern Poetry.

Biografia do Autor

Andressa Cristina de OLIVEIRA, Letras – UNESP/Araraquara
Departamento de Letras Modernas, Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários e Tutora do PET Letras da Faculdade de Ciências e Letras – UNESP – Araraquara – SP – Brasil – andressac@fclar.unesp.br
Thais de Souza ALMEIDA, Letras – UNESP/Araraquara
Mestre em Estudos Literários pelo Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários da Faculdade de Ciências e Letras – UNESP – Araraquara – SP – Brasil – enviandothaisalmeida@gmail.com

Referências

BALAKIAN, A. O simbolismo. São Paulo: Perspectiva, 2007. BAUDELAIRE, C. Poesia e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2006.

CALASSO, R. A literatura e os deuses. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.

CALINESCU, M. Las cinco caras de la modernidad. Madrid: Alianza, 2003.

CAMPOS, Augusto de; PIGNATARI, Décio; CAMPOS, Haroldo de (org.). MALLARMÉ, S. Poesias. Poesias e estudos críticos. Ed. bilíngue. Trad. de Augusto de Campos, Haroldo de Campos e Decio Pignatari. São Paulo: Perspectiva, 2002.

FRIEDRICH, H. Estrutura da lírica moderna: da metade do século XIX a meados do século XX. São Paulo: Duas Cidades, 1978.

HURET, J. Enquête sur l’évolution littéraire. Paris: Bibliothèque Charpentier, 1891. Disponível em: <http://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k49807k/f5.image>. Acesso em 05/08/2015.

JAUSS, H. R. “Tradução literária e consciência atual da modernidade”. In: OLINTO, H. K. (org). Histórias de literatura: as novas teorias alemãs. São Paulo: Ática, 1996, p. 47-100.

MALLARMÉ, S. Oeuvres complètes. Paris: Gallimard, 1998.

MAURON, C. Mallarmé par lui même. Paris: Éditions du Seuil, 1964. PAZ, O. Os filhos do barro. São Paulo: Cosac Naify, 2013.

WILSON, E. O castelo de Axel. São Paulo: Companhia das letras, 2004.

Publicado
2018-05-13