<strong>Idílio e memória nos escritos kunderianos</strong>

  • Eliana Pires Rocha Pontifícia Universidade Católica de São Paulo/PUC/SP

Resumo

 

RESUMO
Ideologias totalitárias com pretensões à instituição de um credo universal ameaçaram a produção literária romanesca cujo espírito é ligado à relatividade e à ambiguidade humana. Kundera denunciou a crença idílica numa sociedade imemorial que subtraiu o presente em nome de um futuro feliz existencialmente inexitoso. A exploração da temporalidade aponta para uma memória forjada sob a opressão e o exílio experienciados pelo autor, que leva, desde o passado, algo para dentro do presente, a despeito de uma transformação contínua que atua sobre ela. Posicionando-se em torno dos efeitos temporais sobre a memória nas obras A brincadeira e A ignorância, postula o autor que estamos resignados ao concreto do tempo presente. Difusa, em constante evolução e permanente fluxo, toda lembrança evocada se sujeita aos filtros do presente e ao inusitado que essa atualização importa.
PALAVRAS-CHAVE: Kundera. Idílio. Memória.

 

 

ABSTRACT
Totalitarian ideology with pretensions to the institution of a universal creed threatened literature novel whose spirit is linked to relativity and human ambiguity. Kundera denounced the idyllic immemorial belief in society that subtracted the gift on behalf of a happy future existentially unsuccessful. The exploration of temporality points to a memory forged under oppression and exile experienced by the author, which leads from the past, something inside of this, despite an ongoing transformation that operates on it. Positioning yourself around the temporal effects on memory in the works The play and Ignorance, the author proposes that we are subjected to this time. Diffuse, constantly evolving and continuous flow, all recollection evoked is subject to gift filters and unusual that this update implies.
KEYWORDS: Kundera. Idyll. Memory.

 

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Publicado
2015-11-18
Edição
Seção
Artigos