“Sou um animal em surto de poesia”: o Outro e o Devaneio Poético em Geraldo Carneiro

Leonardo Vicente Vivaldo

Resumo


RESUMO:
A concepção da criação, em sentido amplo, confunde-se com o poder da Palavra e, sobretudo, com a figura do poeta-demiurgo – o que denunciaria uma relação profunda entre o ritual poético e a resistência deste perante a realidade prosaica do mundo (sobretudo do desencantado mundo moderno-contemporâneo). Esta crise iniciada pelo fazer poético, necessariamente, parece misturar criador e criatura, poeta e poesia, permitindo uma busca pela identidade e que passaria pela figura do Outro (ou da outridade, segundo o poeta e crítico mexicano Octávio Paz). Criação; palavra; ritual; o eu e outro: tudo faz parte do Devaneio poético (Gaston Bachelard) e que comporia a comunhão cósmica do imaginário do poeta – e, para nós, especialmente o imaginário da poesia de Geraldo Carneiro (infinito mar de assonâncias e ressonâncias pela essência da própria poesia e do próprio poeta).
PALAVRAS-CHAVE: Poesia brasileira contemporânea. Outro. Devaneio. Geraldo Carneiro.

ABSTRACT:
The concept of creation in a broad sense is confused with the power of the Word and above all with the figure of the poet-demiurge, which betrays a profound relationship between the poetic ritual and its resistance to the prosaic reality of the world (especially the disenchanted modern-contemporary world). The crisis initiated by the poetic process seems necessarily to mix creator and creation, poet and poetry, which allows for a search for identity and which occurs through the figure of the Other (or of otherness, according to the Mexican poet and critic Octávio Paz). Creation, word, ritual, the Other and I: all is part of the poetics of reverie (Gaston Bachelard) that comprises the cosmic communion of the imaginary of the poet—and, for us, especially the imaginary of the poetry of Geraldo Carneiro (which is full of assonance and resonance for the essence of his own poetry and for himself).
KEYWORDS: Contemporary Brazilian Poetry. Other. Reverie. Geraldo Carneiro.


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