Chamadas para Publicação 2022

2022-05-10

Volume 35, vol 1 - jan-jul de 2022

Volume temático: ABORDAGENS DECOLONIAIS NAS LITERATURAS DO BRASIL, DA AMÉRICA-LATINA E DA ÁFRICA
Organizadores: Tiago Barbosa da Silva (UFBA) e Thays Albuquerque (UEPB)

Ementa: Para os estudos decoloniais, a revisão crítica do passado não pode deixar de lado o perverso sistema de violências e torturas impostas pela necropolítica do colonialismo europeu como apontado por A. Mbembe (2018). Para pensadores/as latino-americanos/as, como A. Quijano (2005), G. Anzaldúa (2019), M. Lugones (2014) e W. Mignolo (2007), os estudos da decolonialidade proporcionam uma crítica aos significados hegemônicos impostos pelo processo de colonização sobretudo em torno dos discursos do silenciamento da violência e terror sofridos pelos colonizados pelo sistema capitalista patriarcal. Um dos paradigmas da decolonialidade, proposto por Quijano, questiona a postura colonizadora de colocar os povos dominados como inferiores e subalternos (2005). Dessa forma, uma estratégia interpretativa que parte dos estudos decoloniais propõe revisar as estruturas fixas das relações identitárias para contestar a dicotomia entre branco superior e colonizado inferior. Essa lógica normatizada pelo poder colonial e fundamentada pela retórica da modernidade é questionada por abordagens epistêmicas, teóricas e políticas capazes de repercutir as vozes e as perspectivas dos sujeitos colonizados pela violência estrutural. Assim, uma abordagem decolonial contesta as verdades impostas pela colonização do discurso de superioridade eurocêntrica e explicita a “lógica opressiva da modernidade colonial” como indica María Lugones ao reconhecer que precisamos ir além e desmistificar a colonialidade de gênero, que considera as mulheres duplamente inferiores aos homens colonizados. Entre esses sujeitos, estão mulheres amefricanas e indígenas, por exemplo, que questionam as opressões biológicas, como destaca Lélia Gonzalez (2019) sobre o proletariado afro-latino-americano. Para essas pensadoras, Gonzalez e Lugones, a estratégia decolonial vai além dos filtros ideológicos para privilegiar a performance feminista decolonial. Por essa perspectiva, decolonizar é revisar a herança pós-colonial a partir do lugar de resistência das diferentes identidades menosprezadas pela colonialidade do poder. Diante desses pressupostos decoloniais, o volume 35 da Revista Fórum Identidades recebe propostas artigos inéditos que analisam textos literários produzidos por escritoras e escritores que revisam o processo de colonização do Brasil, da América Latina ou da África por meio do reconhecimento da necropolítica do discurso colonizado para valorizar o lugar de fala das mulheres, dos/das afrodescendentes, dos/as nativos/as, dos grupos LGBTQIA+, ou de outras identidades que questionam a normatização da violência estrutural que atravessa o discurso da colonialidade.

Prazo final para recebimento de artigos para vol 35: 30/06/2022.
Meio de envio: pela plataforma da revista
https://seer.ufs.br/index.php/forumidentidades/about/submissions
Obs: O/a autor/a precisa fazer o cadastro no site da revista e, logo após, submeter o texto para ser avaliado.
Previsão de publicação: setembro 2022.

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Volume 36 - jul-dez de 2022

Volume temático: Relações étnico-raciais: protagonismos negros e indígenas em múltiplos territórios e contextos educacionais
Organizadoras: Profa. Dra. Edinéia Tavares Lopes - NEABI/UFS, Profa. Dra. Vilma Aparecida de Pinho - GEABI/UFPA, Profa. Dra. Ivanilde [Ivy] Guedes Mattos – FIRMINA/UEFS

Ementa: O modelo civilizatório eurocêntrico desenvolvido na América Latina e África intentou destituir as populações colonizadas de seu modo de ser, agir, estar e conviver no mundo, produzindo as colonialidades do poder, saber, ser e crer, as quais ainda se reproduzem nas relações sociais, políticas, econômicas e culturais. As populações afro-diaspóricas, os povos ameríndios, as populações periféricas, mulheres etc., sempre resistiram ao apagamento das suas histórias e culturas, à inferiorização e homogeneização de suas identidades e lutaram e lutam pelo direito ao reconhecimento e à reparação histórica. Por um lado, convivemos diuturnamente com manifestações de racismos (em todas as suas formas), violência contra povos indígenas e pessoas negras, por outro, com ações, atitudes, projetos que rompem ou pelo menos criam fissuras contra essas violências que se fundamentam em concepções de inferioridades raciais que tem suas origens no racialismo biológico. Essa realidade ambígua é colocada cotidianamente e mais ainda, nos últimos anos, com a ascensão da ultradireita ao poder, como é o caso do Brasil.  Dessa forma, devemos perguntar: Quais práticas e epistemetodologias buscam romper com essa realidade? Como as estruturas, as instituições têm (ou não) se comprometido com o combate ao racismo? Como a universidade tem pautado suas práticas (ensino, pesquisa, extensão, gestão) em uma política antirracista? Este dossiê tem o objetivo de acolher artigos que abordem pesquisas nacionais e internacionais que situam suas perspectivas de resistências afro-diaspóricas e dos povos ameríndios em múltiplos contextos e territórios educacionais.

Prazo final para recebimento de artigos para vol 36: 30/08/2022.
Meio de envio: pela plataforma da revista
https://seer.ufs.br/index.php/forumidentidades/about/submissions
Obs: O/a autor/a precisa fazer o cadastro no site da revista e, logo após, submeter o texto para ser avaliado.
Previsão de publicação: dezembro 2022.