DECOLONIZAÇÃO DA PRÁXIS CINEMATOGRÁFICA EM PUNALKA, EL ALTO BÍO-BÍO DE JEANNETTE PAILLÁN: ALTERIDADE, AUTORREPRESENTAÇÃO E LUTA DO POVO MAPUCHE

Paula Santana

Resumo


Este artigo procura discutir caminhos para a decolonização da práxis cinematográfica a partir do filme documentário Punalka, el Alto Bío-Bío (1995) da cineasta mapuche Jeannette Paillán. Os motivos narrativos perpassam temas como natureza, cultura material, rito e cosmologia, realçando aspectos importantes de uma autorrepresentação que vai na contramão das estereotipias da indústria cinematográfica e do cinema ocidental hegemônico, bem como ensejam uma profunda tessitura que aproxima a diegese, o modo de narrar e de fazer cinema com as relações conflituosas com a sociedade não indígena. Essa articulação torna presente, ainda que invisível, a figura do Estado-nação, da qual o povo Mapuche faz e não faz parte. Diante deste contexto tenso e fraturado, é possível compreender o potencial decolonial de seu cinema em termos de teoria e prática, uma vez que subverte o padrão de poder colonial em várias esferas. Em sua obra, Paillán abre portas e janelas para que espectadores (as), críticos (as), acadêmicos (as) e as próprias forças estatais possam adentrar no universo Mapuche e construir uma “identificação cruzada”, isto é, dividir a crítica e a denúncia das lógicas de dominação, assim como a responsabilidade de garantir representação.

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REVISTA FÓRUM IDENTIDADES
Itabaiana: GEPIADDE. 

ISSN 1982-3916

 

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