TRAUMA COLONIAL, CURA, REINVENÇÃO DA VIDA: NARRATIVAS AFRO-AMERICANAS E AMERÍNDIAS NA LITERATURA ESTADUNIDENSE CONTEMPORÂNEA

  • Tiago Silva Instituto Federal de Sergipe - IFS/Estância

Resumo

Partindo da ideia de metacomentário de Jameson (1992), o presente ensaio visa a discutir a ficcionalização da história e a politização da experiência de sujeitos marginalizados, historicamente apagados da narrativa histórica oficial, como estratégia de revisão da grande narrativa de formação estadunidense e de ressignificação da participação de sujeitos negros e ameríndios nesse processo. Tomou-se como corpus os seguintes romances: The color purple (1982), de Alice Walker; Beloved (1987) e Home (2012), de Toni Morrison; Mean Spirit (1990), de Linda Hogan, e Ceremony (1977), de Leslie Marmon Silko, aqui compreendidos como metacomentários, que retomam a versão oficial da história para preencher suas lacunas e reescrevê-la a partir de novos focos narrativos, mais inclusivos e polifônicos, que legitimam a perspectiva de sujeitos subalternizados, propondo um (des)recalcamento da violência colonial, como ponto de mutação e de empoderamento, um resgate de culturas e práticas ancestrais como forma de curar-se da colonialidade e como plataforma política de resistência ao processo de ocidentalização da América.

Palavras-chave: Metacomentário. Narrar o trauma. Politização da experiência.

Biografia do Autor

Tiago Silva, Instituto Federal de Sergipe - IFS/Estância

Pós-doutorando no PPGL/UFS, professor de Inglês do Instituto Federal de Sergipe, Campus Estância (IFS). Doutor em Letras, Teoria da Literatura, pelo PPGL/UFPE (2018). Pesquisador associado ao Grupo de Estudos de Literatura e Crítica Contemporâneas (GELCCO), UEPB/UFCG, e ao Grupo de Pesquisa em Estudos de Texto, Leitura e Linguagem (GETELL), do IFS.

Referências

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Publicado
2020-09-15
Seção
Questões étnico-raciais e de gênero: Literatura e Educação