COLONIALISMO, POVOS INDÍGENAS E A CONSTRUÇÃO DA ESTRADA DE FERRO MADEIRA-MAMORÉ

Resumo

Este artigo, gerado a partir de uma leitura histórica e político-cultural, confronta ideais de convivência (imigrantes e autóctones) com argumentos sobre o encontro dos Caripuna com o empreendimento “titânico” da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. Tais narrativas traziam opiniões de que o indígena seria empecilho para a construção da ferrovia. Procuramos localizar falseamentos na análise colonialista de alguns autores: Julio Nogueira, Vitor Hugo e, contemporaneamente, Francisco Matias. Os textos difundiram discursividade colonialista e permissiva com a desarmonia. Vitor Hugo, apesar de posição similar à dos demais, manifesta-se algo empenhado em viés humanizador, embora com interesse catequético. Como resultado desta pesquisa, de matriz filológica, identifica-se a desconstrução da figura do indígena, que, à vista do povo, jamais viria a ser sujeito de direito, mas um escolho ao desenvolvimento do País.

Palavras-chaves: Indígenas. Amazônia. Literatura. Filologia Política.

Biografia do Autor

Patrícia Helena dos Santos Carneiro, Universidade Federal de Rondônia - UNIR

Docente da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), Departamento de Línguas Estrangeiras, Campus de Porto Velho. Doutora em Direito pela Universidade de Santiago de Compostela / UERJ. Vice-líder do Grupo de Pesquisa Filologia e Modernidades. Coordenadora do Projeto de Pesquisa “Direito e Literatura: a Amazônia e o Olhar do Literário sobre os Direitos Humanos” (PIBIC-CNPq/UNIR). ResearcherID: N-1188-2018.

Júlio César Barreto Rocha, Universidade Federal de Rondônia - UNIR

Docente da Universidade Federal de Rondônia, Departamento de Letras Vernáculas, leciona no Mestrado Acadêmico em Letras. Doutor pela Universidade de Santiago de Compostela / UFRJ. Líder do Grupo de Pesquisa Filologia e Modernidades, é vice-coordenador do Projeto de Pesquisa “Direito e Literatura”. ResearcherID- ABC-9294-2020.

Antônio Cândido da Silva, Universidade Federal de Rondônia - UNIR

Mestrando em História e Estudos Culturais (UNIR). Bacharel e Licenciado em Letras Língua Portuguesa (UNIR).

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Publicado
2020-09-15
Seção
Questões étnico-raciais e de gênero: Literatura e Educação