PEDAGOGIA DECOLONIAL: PRÁTICAS DE RESISTÊNCIAS NEGRAS

Resumo

Este artigo é parte da tecitura da tese de doutorado, Andarilhagens de professorxs: Práticas de resistências negras na escola pública em Pelotas–RS, desenvolvida na Universidade Federal de Santa Catarina, dialogando com professorxs que realizam ações pedagógicas na escola, trabalhando as relações étnico-raciais, que são aqui nomeadas como práticas de resistências negras. Objetiva mostrar que existem práticas decoloniais e propositivas de valoração da presença negra no Brasil, denunciando o racismo na sociedade brasileira e anunciando práticas para erradicação deste. Buscamos falar com estexs sujeitxs, usando a metodologia monadólogica. Por meio da narração destxs professorxs, de suas memórias e experiências construímos as mônadas e o diálogo com os parceirxs teóricxs para criar outras possibilidades, construindo uma educação antirracista.

Palavras-chaves: Educação. Relações étnico-raciais. Memórias.

Biografia do Autor

Josiane Beloni de Paula, Universidade Federal de Sergipe - UFS

Doutora em Educação (2020), Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC. PAMEDUC/UFSC.  Bolsista CNPq.

Elison Antonio Paim, Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC

Professor Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC. PAMEDUC/UFSC.

Referências

ALMEIDA, Sílvio Luiz de. O que é racismo estrutural? Belo Horizonte (MG), Letramento, 2018.

BENJAMIN, Walter. Origem do drama barroco alemão. Tradução Sérgio Paulo Rouanet. São Paulo: Brasiliense, 1984.

CANDAU. Vera, Maria Ferrão; Russo, K. Interculturalidade e Educação Na América Latina: uma construção plural, original e complexa. Revista Diálogo Educacional, Curitiba, v. 10, n. 29, p. 151-169, jan./abr. 2010.

CAVALLEIRO, E. (org), Racismo e Anti-Racismo na Educação: repensando nossa escola. São Paulo: Summus, 2001.

CÉSAIRE, Aimé. Diário de um retorno ao país natal. Tradução Lilian P. de Almeida, 1ª ed. Edusp, 2012.

CRUZ, Josiane Beloni da. Colorindo invisibilidades: um estudo de caso acerca de práticas de resistência negra na escola. 2014. 78f. Dissertação (Mestrado em Educação), Universidade Federal de Pelotas, Pelotas, 2014. (Josiane Beloni de Paula).

FRANÇA, Cyntia Simioni. O Canto da Odisseia e as Narrativas Docentes: dois mundos que dialogam na produção de conhecimento histórico educacional. Tese (Doutorado em Educação), Universidade Estadual de Campinas, Campinas. 2015.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Indignação: Cartas pedagógicas e outros escritos. São Paulo: Editora UNESP, 2000.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: Saberes necessários à prática educativa. 15.ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2000.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 17.ed. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1987.

GALZERANI, Maria Carolina Bovério. Imagens que lampejam: contribuições de Walter Benjamin para a produção de conhecimentos históricos. Encuentro de Saberes. Luchas populares, resistências Y educación, Buenos Aires-Argentina, v. 1, p. 53, 2013b.

GALZERANI, Maria Carolina Bovério. Memória, Cidade e Educação das Sensibilidades. Resgate: Revista Interdisciplinar de Cultura, v. 20, n. 23, jan./jun. 2012.

GROSFOGUEL. Ramón. Para descolonizar os estudos de economia política e os estudos pós-coloniais: transmodernidade, pensamento de fronteira e colonialidade global. In: SANTOS, Boaventura de Sousa; MENEZES, Maria Paula (Orgs.). Epistemologias do Sul. Coimbra: Edições Almedina, 2009.

LANDER, Edgardo (org). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. Perspectivas latinoamericanas. Buenos Aires, Colección Sur Sur, 2005a, p.118-142, 2005.

MALDONADO-TORRES, Nelson. A topologia do ser e a geopolítica do conhecimento. Modernidade, império e decolonialidade. In: SANTOS, Boaventura de Sousa; MENESES, Maria Paula (Orgs.). Epistemologias do Sul. Coimbra: Almedina, 2009, p. 337-382.

MALDONADO-TORRES, Nelson. Sobre la colonialidad del ser: contribuiciones al derarrollo de um concepto. In: CASTRO-GÓMEZ, Santiago.; GROSFOGUEL, Ramón. El giro decolonial. Reflexiones para uma diversidad epistêmica más Allá del capitslismo global. Colombia: Siglo del Homem Editores, 2007, p. 127-167.

MUNANGA, Kanbegele. Superando o racismo na escola. 2.ed. MEC/Secad, 2005.

OLIVEIRA, Sil Lena Ribeiro Calderaro. Antes que o tempo passe tudo a raso: tambores matriarcais do grupo de Carimbó Sereias do Mar da Vila Silva em Marapanim, no Pará. Dissertação (Mestrado em Educação), Universidade Federal de Santa Catarina, 2018.

OSÓRIO, Rafael Guerreiro. Desigualdade racial e mobilidade social no Brasil: um balanço das teorias. In: THEODORO, M. (Org.). As políticas públicas e a desigualdade racial no Brasil: 120 anos após a abolição. Brasília; IPEA, 2008. (p. 65-96). Disponível em: <http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/Livro_desigualdadesraciais.pdf>. Acesso em: 20 mai 2017.

PAIM, Elison Antonio; LUÍS, Solange. Decolonizando tempos, espaços, memórias e experiências educativas na província de Huíla – Angola: narrativas sobre escolas. Revista África(s), v. 7, nº. 13, 2020.

QUIJANO, Aníbal. Colonialidad del poder, eurocentrismo y América Latina. In: LANDER, E. (Org.). La colonialidad del saber: eurocentrismo y ciencias sociales. Perspectivas Latinoamericanas. Buenos Aires: Clacso, 2005. p. 227-277.

ROSA, Maria Inês Petrucci et al. Uma outra compreensão de currículo. Currículo sem fronteiras, v. 11, n. 1, p. 198-217, 2011.

SANTANA, Tatiana de Oliveira. Narrativas femininas guajajara e akrãtikatêjê no Ensino Superior. Dissertação (Mestrado em Educação), Universidade Federal de Santa Catarina, 2017.

SOUZA, Odair. A educação para as relações étnicorraciais no ensino de história: memórias e experiências de professoras da educação básica. Dissertação (Mestrado em Ensino de história), Universidade Federal de Santa Catarina, SC, 2018.

SOUZA, Técia Goulart de. Educação para as relações étnico-Raciais no Centro de Ensino Fundamental Miguel Arcanjo – São Sebastião – Distrito Federal: Diálogos dentro e fora da escola. Dissertação (Mestrado em Ensino de História), Universidade Federal de Santa Catarina, SC, 2020. WALSH, Catherine. ¿Son posibles unas ciencias sociales/culturales otras? Reflexiones en torno a las epistemologias decoloniales. Nómadas. Revista Crítica de Ciencias Sociales y Jurídicas, Colômbia, n. 26, p. 102-113, abril 2007, p. 103.

WALSH, Catherine. Interculturalidad, Plurinacionalidad y Decolonialidad: Las Insurgencias PolíticoEpistémicas de Refundar el Estado. Tabula Rasa, Bogotá, n. 9, p. 131-152, 2008.

WALSH, Catherine. Interculturalidade crítica e pedagogia decolonial: in-surgir, re-existir e re-viver. In: CANDAU, Vera Maria. (Org.). Educação intercultural na América latina: entre concepções, tensões e propostas. Rio de Janeiro: 7letras, 2009. pp. 12 – 42.

WALSH, Catherine. Pedagogías decoloniales: prácticas insurgentes de resistir, (re)existir y (re)vivir. Tomo I. Quito, Ecuador: Ediciones Abya-Yala, 2013.

ZETTERMANN, Guilherme Dunchatt. As percepções dos guias de turismo em relação ao seu papel de educador. Dissertação (Mestrado em Educação), Universidade Federal de Santa Catarina, 2019.

NARRADORXS:

Juliana da Rosa Brochado. Entrevista concedida a Josiane Beloni de Paula. Pelotas, 19 de julho de 2017. [Gravação digital transcrita, acervo da autora].

Martha Elaine Adamy. Entrevista concedida a Josiane Beloni de Paula. Pelotas, 17 de julho de 2017. [Gravação digital transcrita, acervo da autora].

Raquel Silveira Rita Dias. Entrevista concedida a Josiane Beloni de Paula. Pelotas, 21 de julho de 2017. [Gravação digital transcrita, acervo da autora].

Sinval Martins Farina. Entrevista concedida a Josiane Beloni de Paula. Pelotas, 17 de julho de 2017. [Gravação digital transcrita, acervo da autora].

Publicado
2020-12-31
Seção
Desigualdades, identidades, epistemologias e práticas educacionais