AS VICISSITUDES DA INDECÊNCIA: NOTAS ETNOGRÁFICAS SOBRE A IMPERIALIDADE DE GÊNERO NA VIDA ESCOLAR

Resumo

O artigo analisa fragmentos de uma pesquisa de pós-graduação em sociologia realizada em uma instituição de ensino na cidade de Porto Alegre, cuja temática versa sobre processos de subjetivação discente. O texto justifica sua pertinência em estudos de educação pelo modo como elabora seus inventários empíricos, articulando metodologicamente etnografia e análise documental, pelas quais desdobra um estudo de caso sobre gênero. Tem por objetivos a reconstrução socioantropológica das conexões entre normas e práticas escolares e seus efeitos nas possibilidades de constituição subjetiva de estudantes, evidenciar moralidades subjacentes em regras e práticas e expor a importância do corpo na escola. Como resultados, exibe as condições pelas quais alunos e alunas experimentam relações com o corpo e a sexualidade a partir do gênero, evidenciando, sobretudo, as censuras sobre o feminino.

Palavras-chave: Escola. Processos de subjetivação. Corpo. Sexualidade.

Biografia do Autor

Alexandre Manzoni, Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS

Licenciado em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Mestrando pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia (PPGS) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul na linha de pesquisa Sociedade e Conhecimento.

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Publicado
2020-12-31
Seção
Desigualdades, identidades, epistemologias e práticas educacionais