GÊNERO E ETNOGRAFIA: IMPLICAÇÕES TEÓRICO-METODOLÓGICAS PARA PESQUISAR NAS PRÁTICAS EDUCACIONAIS

Resumo

Este ensaio procura refletir sobre as possibilidades de operar analiticamente com a categoria gênero, na vertente pós-estruturalista, em estudos etnográficos e suas implicações e decorrências para o modo de pensar o fazer científico. Destacamos o gênero não somente como uma categoria teórica, mas também como uma ferramenta analítica e relacional, entendendo, de forma não linear, seus desdobramentos educativos na organização da cultura e nas articulações de poder. Esses desdobramentos implicam descontruir essencialidades e uma ideia hierárquica de verdade, natureza e conhecimento. Nessa direção, o gênero opera como uma ferramenta para produzir conhecimento, pois trata-se de um processo educativo por meio do qual problematizamos a nós mesmas e os modos de fazer pesquisa. O estudo traz uma experiência interpretativa do trabalho de campo que permite explorar as possibilidades das brechas produtivas etnográficas e suas implicações ético-políticas.

Palavras-chaves: Feminismo. Epistemologia. Metodologia. Pesquisa. Educação.

Biografia do Autor

Ileana Wenetz, Universidade Federal do Espírito Santo - UFES

Professora do Centro de Educação Física e Desportos e da Pós-graduação em Psicologia Institucional ambos da UFES. Doutora em Ciências do Movimento Humano (UFRGS) em 2012.

Mariana Zuaneti Martins, Universidade Federal do Espírito Santo - UFES

Professora do Centro de Educação Física e Desportos (Graduação e Pós-graduação), da UFES. Doutora em Educação Física (UNICAMP), em 2016.

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Publicado
2020-12-31
Seção
Desigualdades, identidades, epistemologias e práticas educacionais