TRABALHAR COM VIADAGEM NA ESCOLA, POR QUE NÃO? ANDANÇAS, PERCALÇOS E RESISTÊNCIAS DE UMA PROFESSORA DA EDUCAÇÃO BÁSICA

Resumo

Este artigo objetiva discutir as mobilizações e desafios de uma professora da educação básica ao dialogar sobre diversidade de gênero e sexual na escola. Esta pesquisa se ampara nos estudos pós-críticos e pós-estruturalistas, e para a produção das informações empíricas foram realizadas entrevistas narrativas com a docente e observação participante de suas aulas. A professora Santos foi instigada a trabalhar com essas questões pelo seu contato com as pessoas LGBTTI+, as inquietações construídas em suas aulas após trazer o debate sobre diversidade de gênero e sexual e os processos formativos em que ela participou. Alguns desafios atravessaram o trabalho de Santos, como a presença do discurso religioso e, em alguns momentos, a falta de receptividade por parte dos/as alunos/as. Contudo, Santos insistiu nas discussões e os/as estudantes construíram novos olhares para a diversidade sexual e de gênero.

Palavras-chave: Gênero. Sexualidade. Ensino Médio. Docência.

Biografia do Autor

Roniel Santos Figueiredo, Centro Universitário de Ciências e Tecnologia – UniFTC

Professor do Centro Universitário de Ciências e Tecnologia – UniFTC. Docente da Secretaria Estadual de Educação da Bahia. Mestre em Relações Étnicas e Contemporaneidade (2017). Grupo de Estudos e Pesquisa em Gênero e Sexualidade – UESB.

Marcos Lopes de Souza, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – UESB

Docente titular da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – UESB. Docente do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Formação de Professores e do Programa de Pós-Graduação em Relações Étnicas e Contemporaneidade. Doutor em Educação (2007). Líder do Grupo de Estudos e Pesquisa em Gênero e Sexualidade – UESB. 

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Publicado
2020-12-31
Seção
Desigualdades, identidades, epistemologias e práticas educacionais