EDUCAÇÃO CRÍTICA EM MOVIMENTO: O POTENCIAL DECOLONIZADOR DO LETRAMENTO

Resumo

O presente artigo busca posicionar o letramento crítico como um instrumento fecundo no processo de desenvolvimento e emancipação de pessoas que residem em Comunidades Rurais. Para tal finalidade, a teoria decolonial ao contrapor as concepções monolíticas firmadas nos modelos e nas epistemologias eurocêntricas assume o eixo norteador desta pesquisa e convida o leitor a se colocar de forma crítica a respeito da real função dos conteúdos transmitidos no processo educacional. Embora exista um conjunto complexo de dispositivos atuando sobre os indivíduos há possibilidade de se produzir formas de resistência acerca da imposição dos padrões comportamentais. Sob esse quadro analítico, o letramento crítico pode ser tomado como um instrumento de transformação social, resistência e resiliência, de modo a (re)pensar estratégias para um fazer educacional que rompa com as concepções fatalistas. Dentre os principais autores que fundamentam a pesquisa são citados: Cruz (2019; 2012; 2009), Foucault (1999), Freire (2017; 1987), hooks (2013), Mignolo (2017; 2008) e Kleiman (2008).

Palavras-chave: Decolonial. Processo educacional. Letramento crítico. Comunidade Rural.

Biografia do Autor

Ueliton André dos Santos Silva, Universidade do Estado da Bahia - UNEB

Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Crítica Cultural na Universidade do Estado da Bahia-Campus II. Graduado em Psicologia pelo Centro Universitário UNIRB.

Maria de Fátima Berenice da Cruz, Universidade Estadual da Bahia - UNEB

Doutora em Educação pela Universidade Federal da Bahia. Professora titular da Universidade do Estado da Bahia. Professora do Programa de Pós-Graduação em Crítica Cultural. Líder do GEREL/CNPq-UNEB.

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Publicado
2020-12-31
Seção
Desigualdades, identidades, epistemologias e práticas educacionais