O SAMBA COMO PRÁTICA CULTURAL E PEDAGÓGICA DE RESISTÊNCIA

Resumo

O artigo trata de um dos inúmeros legados da afro-diáspora: o samba. Ao abordar o samba, não estamos tratando apenas de um ritmo musical e sim de uma prática cultural complexa, permeada de saberes, de modos de viver e entender o mundo. A pesquisa examina as epistemologias produzidas pelo povo negro e como o samba possibilitou movimentos de saberes e de invenção de novas formas de ser, contribuindo para o processo de luta contra o colonialismo e atuando como prática pedagógica e cultural de resistência. Partindo dos estudos de Alcoff (2016), Costa (2018) e Ribeiro (2019), abordaremos o racismo epistemológico no Brasil, o contexto de formação desses espaços/tempos do samba, suas contribuições para a produção de conhecimento, bem como um histórico do surgimento do samba e seu caráter pedagógico.

Palavras-chaves: Relações raciais. Samba. Resistência. Descolonizar. Pedagogia.

Biografia do Autor

Laís Vianna de Oliveira, Universidade Federal Fluminense - UFF

Doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Educação (UFF). Grupo de pesquisa: Práticas, Culturas e Espaços de Construção de Saberes – PCECS (UFF).

José Roberto da Rocha Bernardo, Universidade Federal Fluminense - UFF

Doutor em Educação em Ciências (IOC – FIOCRUZ). Professor no Programa de Pós-Graduação em Educação (UFF). Grupo de pesquisa: Práticas, Culturas e Espaços de Construção de Saberes – PCECS (UFF).

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Publicado
2020-12-31
Seção
Desigualdades, identidades, epistemologias e práticas educacionais