A VIOLÊNCIA ESTRUTURAL DOS FEMINICÍDIOS NA LITERATURA LATINO-AMERICANA

Resumo

Este estudo apresenta reflexões sobre a impunidade estrutural que atravessa as representações de feminicídio nas narrativas de Marina Colasanti, Arminé Arjona e Selva Amada, que contextualizam esse crime em sistemas patriarcais do Brasil, México e Argentina, respectivamente. Este recorte analisará como os códigos machistas relativizam a impunidade de criminosos ao mesmo tempo em que promovem a culpabilização e a desqualificação da vítima. Neste estudo, exploramos as representações literárias como arquivos sociais, levando em conta os conceitos de violência estrutural e as abordagens feministas de Rita Laura Segato (2013), Julia Fragoso (2010) e Lia Zanotta Machado (2010). Metodologicamente, a violência está sendo vista como um código machista de punição e controle do corpo da mulher.

Palavras-chave: Violência contra a mulher. Literatura comparada. Códigos misóginos.

Biografia do Autor

Carlos Magno Gomes, Universidade Federal de Seripe - UFS

Professor de Teoria Literária da graduação e pós-graduação da UFS/CNPq e atua no PPGL e no PROFLETRAS. Editor da Revista Interdisciplinar de Língua e Literatura.

Referências

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Publicado
2021-04-15
Seção
Literatura contra a opressão de gênero