A CASA GOVERNADA PELA MATRIARCA NA FICÇÃO GOESA DE VIMALA DEVI

Resumo

O objetivo do estudo é, de um lado, resgatar uma escritora de língua portuguesa, silenciada pelo cânone de Portugal, que vive em Barcelona, aos 89 anos de idade: a goesa Vimala Devi, pseudônimo literário de Teresa da Piedade de Baptista Almeida. Poetisa, crítica literária, pintora, tradutora e contista, Teresa é considerada uma escritora da diáspora, pois emigrou para Lisboa, aos 26 anos de idade (1958), e escreveu sua obra - lírica e narrativa- longe de sua terra natal, Goa, que, em 1530, tornou-se a capital do Império português no Oriente (Índias Portuguesas), e no ano de 1961, foi anexada à União Indiana. E, de outro lado, analisar no conto O Genro-Comensal (1963), de Devi, a questão do matriarcado em uma ilustre família cristã que precisava de descendentes. O estudo da narrativa sobre a única função do cunhado, a de gerar um herdeiro, baseia-se nos conceitos de cultura híbrida e estranhamento, de Bhabha, além de reflexões sobre o matriarcado, o patriarcado e o capitalismo, de Engels, Pantem, Narvaz e Koller.

Palavras-chave: Literatura goesa. Vimala Devi. Cânone. Matriarcado. Poder. Gênero.

Biografia do Autor

Denise Rocha, Universidade Federal do Ceará - UFC

Professora visitante da Universidade Federal do Ceará (UFC).

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Publicado
2021-04-16
Seção
Literatura contra a opressão de gênero