DAS FRANJAS DA OBRA AOS SENTIDOS DO TEXTO: AS NARRATIVAS DE PEPETELA

Palavras-chave: Paratexto autoral, Pepetela, Instância narrativa, Geografias literárias, Imaginário cultural angolano

Resumo

O presente texto tem como objetivo analisar as estratégias discursivas e textuais presentes em Mayombe (2013 [1980]) e O planalto e a estepe: Angola, dos anos 60 aos nossos dias. A história real de um amor impossível (2009), de Pepetela, no trânsito paratexto, texto e contexto. À luz da noção de “paratexto autoral”, de Gérard Genette (2009 [1987]), articulam-se o nome do autor, o título e a dedicatória à instância narrativa e ao espaço. Como o paratexto coloca-se em relação ao texto, o pseudônimo Pepetela orienta a ótica para os narradores, e o título e a dedicatória suscitam o espaço. Assim, tanto os narradores quanto as geografias espaciais conectam-se ao eixo comum nas duas obras: a convivência entre diferentes grupos e sujeitos e suas diversas formas sociais e culturais.

Biografia do Autor

Jeferson Rodrigues dos Santos, Universidade Federal de Sergipe - UFS

Doutorando em Estudos Literários no Programa de Pós-Graduação em Letras (PPGL) da Universidade Federal de Sergipe (UFS).

Referências

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Publicado
2021-10-27
Seção
Abordagens pós-coloniais