FOTOGRAFIAS IDENTITÁRIAS: GOVERNAMENTALIDADE E PEDAGOGIZAÇÃO DA CIDADE

  • Aristóteles de Paula Berino

Resumo

Em contraste com a metáfora do “olho do poder”, que serviu para apresentar o pan-óptico como uma mecânica da capacidade de ver, buscando assegurar a vigilância dos indivíduos no interior de uma instituição, este estudo propôs, a partir do conceito de governamentalidade, discutir como a obra de Foucault nos oferece uma perspectiva de investigação diante do aparecimento das políticas do pan-óptico na contemporaneidade, que se transformam agora em ponto de gravidade das propostas de pedagogização da cidade. Considerando que na sociedade brasileira, particularmente na territorialização das grandes cidades, as presenças e a vitalidade da população são problematizadas, sobretudo, de forma segmentada e mediante as concepções de desordem urbana, segurança pública, patrimônio e propriedade, as atribuições identitárias se prestam a uma política de localização, fixação e controle. Foi o propósito deste estudo discutir como a governamentalização das identidades, virtualmente alcançadas através de políticas de imagem, consiste em uma inescapável questão no debate atual sobre o reconhecimento das diferenças.
Seção
DOSSIÊ: IDENTIDADES E PODER