A FORMAÇÃO SUPERIOR DO ENFERMEIRO ÍNDIGENA: DESAFIOS DA INTERCULTURALIDADE

  • Micnéias Tatiana de Souza Lacerda Botelho
  • Darci Secchi

Resumo

O processo de colonização ocorrido há 500 anos modificou radicalmente a demografia indígena brasileira e fez com que essas populações passassem a ocupar territórios cada vez mais reduzidos. Dentre os impactos negativos mais sentidos, certamente o da saúde foi o de maior destaque. Neste artigo pretende-se discutir essa temática, tendo como referência o Curso de Enfermagem da UFMT em Sinop do qual participam acadêmicos indígenas vinculados ao Programa de Inclusão Indígena – PROIND.  Trata-se de um estudo qualitativo do tipo descritivo e exploratório que trata das demandas de saúde indígenas e da educação superior destinadas a essas comunidades específicas. As ações de saúde indígena no Brasil, há anos, vêm sendo coordenadas pela FUNASA por meio de um programa organizado de acordo com as diretrizes do SUS. Após várias iniciativas para a sua otimização, a desassistência e a precariedade do atendimento continuam sendo barreiras quase intransponíveis. Um dos pontos renitentes é a falta de pessoal qualificado para um atendimento regular e permanente nas aldeias. Para suprir essa demanda, foram oferecidas vagas em cursos superiores para estudantes indígenas, com a expectativa de que, após a conclusão dos estudos, retornassem às respectivas aldeias. Essa aposta, porém, esbarra problemas como o pequeno número de vagas, a adequação curricular do curso e o acompanhamento do trabalho profissional nas aldeias. Os avanços até aqui verificados, seja pela ação do Estado, seja pela militância e organização dos indígenas, poderão ser melhor potencializados na medida em que as Universidades repensarem suas formas de atuação e se qualificarem melhor para o atendimento de um projeto tão arrojado e específico.
Seção
DOSSIÊ: EDUCAÇÃO INDÍGENA INTERCULTURAL: ABORDAGENS POLÍTICAS E PEDAGÓGICAS NA ATUALIDADE BRASILEIRA