A ESCRITA COMO OBJETO IMPURO DO CONHECIMENTO: A ALTERIDADE FUNDAMENTA O CONHECER E O SER NA ALFABETIZAÇÃO INDÍGENA

Renato Izidoro da Silva, Miguel Angel Garcia Bordas

Resumo


Este artigo é uma síntese do quarto capítulo de nossa tese de doutoramento que vem investigando a problemática aquisição da escrita enquanto processo cultural em comunidades tradicionalmente orais, no sentido de compreender seus fracassos. Pautados na semiótica de Peirce, na epistemologia de Bachelard e nos estudos de Todorov sobre alteridade, expomos uma  análise  dos  vínculos  científicos  da  alfabetização  indígena  hodierna  acerca  de  dois aspectos fundamentais da Modernidade. 1) o processo de colonização da América ocorrida na esteira da oposição e dominação entre o “eu e o outro” e 2) a busca filosófica do pensamento moderno em desvendar conceitualmente a natureza pura do conhecimento fundamentado na dicotomia entre sujeito e objeto, em que o primeiro deve dominar o segundo. Identificamos que a visão purista e dicotômica do conhecimento e da colonização forma a base teórica das Ciências Naturais e Humanas onde o sujeito (cientista) e o eu (colonizador) representam o domínio da racionalidade sobre a irracionalidade do objeto investigado e do outro colonizado, respectivamente. As concepções teóricas e metodológicas tradicionais de aquisição da escrita operam processos baseados em uma cognição confundida com a gnoseologia moderna e a alteridade colonial expressas na historiografia da escrita. Partindo de nossa experiência inicial com os sateré-mawé do sudeste amazônico, a alfabetização indígena tem configurado um processo gnoseológico onde a escrita se tornou a chave ontológica da assimilação indígena do outro moderno alfabetizado, que nas tramas da alteridade vemos emergir uma estreita relação entre o conhecer e o ser.

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REVISTA FÓRUM IDENTIDADES
Itabaiana: GEPIADDE. 

ISSN 1982-3916

Classificação Qualis CAPES 2017-2020 como A3.

 

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