Edições anteriores

  • ISSN 2357-9145
    n. 1 (2014)

     

    EDITORIAL

     

    Este é o primeiro número do Boletim Historiar, periódico científico editado pelo Grupo de Estudos do Tempo Presente, grupo de pesquisa cadastrado no CNPq e radicado no Departamento de História da Universidade Federal de Sergipe. Embora seja uma produção do GET, a revista não limitará a aceitação de textos a temáticas do tempo presente.

    Justamente por investir na experiência de discentes da graduação e da pós-graduação, o periódico espera receber contribuições de interessados nas mais diversas áreas da História, da Educação, da Literatura, das Ciências Sociais, da Psicologia, das Relações Internacionais e demais campos do saber que orbitam a grande área das Humanidades.

    Como se pode perceber, esta publicação pretende ser um lócus de debates plurais, na qual diferentes abordagens tenham espaço e experiências de pesquisas não apenas oriundas do campo da História ganhem visibilidade.

    A palavra Historiar, verbo que dá conta da imensidão de uma tarefa, escrito no infinitivo, é assim posta para enfatizar a contínua urgência do nosso ofício. Narrar, ajudar a lembrar, manter o alerta, eis algumas das funções fundamentais dos historiadores. Em tempos de marchas sombreadas pelo fascismo, pelo revisionismo fraudulento, historiar, como  navegar, é preciso.

    Nosso Conselho Consultivo, fundamental para conferir qualidade ao material publicado por este periódico, é formado por pesquisadores de diferentes instituições de ensino superior do Brasil, sendo a maior parte deles vinculada a programas de pós-graduação em História ou áreas afins. A cada um destes profissionais somos imensamente gratos pela demonstração de confiança no trabalho realizado por nossa equipe.

    Neste primeiro número temos a grata satisfação de contar com um diversificado quadro de colaboradores. Iniciando a edição temos o artigo de Andreza Maynard sobre o tenentismo em Pernambuco na Revolta Tenentista de 1924. A seguir, Fernando Porto, Renata Moreira, Royanne Claxton abordam o tema Anistia em uma proveitosa ferramenta de ensino-aprendizagem, o blog.

    Nosso terceiro texto, parceria de Antônio Elíbio e Fernanda Nascimento, apresenta uma relevante discussão sobre o papel do Exército/ Militares e a política na Revista A Defesa Nacional entre 1931-37. Há ainda Daniel Chaves, que nos contempla com um trabalho sobre a política e história da Bolívia contemporânea. No último artigo, Caio Lima analisa atentamente a relação entre teoria, ciência e ensino de história através das obras de Jörn Rüsen.

    A revista possui duas resenhas. A primeira de Raquel Anne, para a obra Hitler e o nazismo de Dick Geary, mais uma importante produção a se debruçar sobre um personagem enigmático e um movimento sedutor, complexo e irremediavelmente perverso. Por fim, Alana de Moraes resenha a coletânea Visões do Mundo Contemporâneo. V. 1.

     

    Boa leitura!

     

    Dilton Cândido S.Maynard

    (Professor do Departamento de História -UFS e Coordenador do GET)

    Editor-Chefe

    Raquel Anne Lima

    (Graduanda em História -UFS)

    Editora Jr.


  • ISSN 2357-9145
    n. 2 (2014)

    EDITORIAL

    A segunda edição do Boletim Historiar vem coroar o nosso esforço de construção de um periódico discente marcado pela busca de diálogos interdisciplinares. Iniciando esta edição temos alguns apontamentos sobre a relação entre filme e História no texto Além do que se vê: o filme, objeto da história de Dilton Maynard. Em seguida Karl Schurster e Márcio Oliveira fazem um estudo da condição política do Paraguai no tempo presente com o artigo Entre a Alternância e a Hegemonia Política: o Paraguai no Tempo Presente. Já Retóricas identitárias no circuito do Choro de Aracaju, de Daniela Moura, discute música e a formação e as estratégias de grupos, por meio de grupos de Choro em Aracaju.

    Os debates seguintes também são instigantes. O artigo Patrimônio aos olhos de quem? Um breve estudo sobre a construção do conceito ‘Patrimônio Histórico’, cuja autoria é de Jandson Soares e Wendell de Oliveira, e procura problematizar como e quando surgiu o conceito de patrimônio histórico. Ainda temos a valiosa contribuição de Anita Lucchesi com o artigo Por um Debate Sobre História e Historiografia Digital, com uma provocante discussão entre a cultura digital e a historiografia.

    Encerram este segundo número as resenhas de Gabriela Resendes Integração Sul-americana no Tempo Presente da obra Instituições sul-americanas no tempo presente: caminhos da integração, e Paulo Teles com Redes de Indignação e Esperança: Movimentos sociais na era da internet.

    Boa Leitura!

    Dilton Cândido S.Maynard

    (Professor do Departamento de História -UFS e Coordenador do GET)

    Editor-Chefe

     

    Karla Karine

    (Mestranda em História - UFS)

    Editora

     

    Luyse Moura

    (Graduada em História - UFS)

    Editora

     

    Raquel Anne Lima

    (Graduanda em História - UFS)

    Editora Jr.

  • ISSN 2357-9145
    n. 3 (2014)

    Continuando com o trabalho de construir um periódico discente marcado por uma perspectiva interdisciplinar, vem à luz a terceira edição do Boletim Historiar, publicação do Grupo de Estudos do Tempo Presente, vinculado ao Departamento de História da Universidade Federal de Sergipe. Iniciando temos Marcella Albaine Farias da Costa e Marcus Leonardo Bomfim Martins que no artigo A interface Currículo e “Ensino de” História: sentidos de currículo mobilizados na ANPUH (2011) e no Perspectivas do Ensino de História (2012), tratam da problemática envolvendo o Ensino de História e a construção de currículos. Em seguida, Williams Souza Silva apresenta o texto Caminhantes noturnos e suas trajetórias desviantes: dificuldades metodológicas no estudo de grupos undergrounds e nos mostra as dificuldades encontradas em seu trabalho sobre grupos com estilo de vida underground.

    O terceiro texto, de Andrey Augusto Ribeiro dos Santos, estuda as representações medievais presentes na obra clássica de J. R.R. Tolkien com o artigo O senhor dos anéis: uma crítica a modernidade. Na sequência, Paulo Roberto Alves Teles traz o trabalho O discurso histórico e as suas multiplicidades: uma abordagem sobre as novas demandas da historiografia contemporânea a partir da história do tempo presente e evidencia o debate e as problemáticas auxiliadas pela história do tempo presente. O último artigo procura refletir sobre o neofascismo através da análise do White Rock (ou “Rock Branco”).

    Duas duas resenhas fecham esta edição. A primeira, de Cândido Luiz Santos Maynard, informa sobre o livro Um Artista da Fé: Padre Marcelo Rossi e o catolicismo brasileiro contemporâneo, de Péricles Andrade. Já a segunda, de Jairo Fernandes da Silva Júnior, trata da obra Un Planeta de Metrópolis (en crisis): explosión urbana y del transporte motorizado, gracias al petróleo.

    A todos os autores gostaríamos de agradecer pela confiança que depositaram em nosso periódico. A remessa de textos, de diferentes instituições, somente reforça a nossa determinação em produzir um periódico de qualidade.

     

  • ISSN 2357-9145
    n. 4 (2014)

    Temos o imenso prazer em apresentar a quarta edição do Boletim Historiar, periódico do Grupo de Pesquisas do Tempo Presente (GET/CNPq), apoiado pelo Departamento de História da Univerisidade Federal de Sergipe (DHI). Esta publicaçao objetiva estabelecer uma interlocução entre as diversas esferas do conhecimento científico nas Humanidades. Neste número, contamos com a colaboração de Carla Regina Santos e Zenith Nara Costa, abordando os problemas de adaptação e relacionamento enfrentados por estudantes que participam como residentes do programa da Universidade Federal de Sergipe (UFS), no artigo intitulado “Construção de uma escala para avaliar liderança em residentes universitários”. Em seguida, José Maria Gomes discute os usos do Teatro Grego na formação dos profissionais de História no texto “O teatro ateniense na formação do Historiador”.

    O terceiro texto, de Anailza Costa, analisa como a extrema direita propagou ideias fascistas por meios virtuais entre os anos de 2005-2013, com o artigo “Intolerância.com: a extrema direita colombiana e venezuelana na internet”. Na sequência, Mônica Apenburg traz o trabalho “Sob Suspeita: o combate aos estrangeiros em Sergipe durante a Segunda Guerra Mundial”, investigando os impactos de tal evento no cotidiano desses indivíduos. O último artigo, de Clotildes Farias e Jailton Santos, apresenta o projeto educacional de jovens e adultos implantado pela Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Sergipe e, graças à Ação Latino-Americana de Informação e Alfabetização- Brasil com o trabalho “Ação latino-americana de informação e alfabetização-Brasil: o projeto de educação de jovens e adultos da Igreja Assembleia de Deus em Sergipe – 2006 a 2008”.

    Três resenhas concluem essa edição. A primeira, de Edla Tuane Monteiro Andrade, trata da obra “O Diabo na Água Benta ou Arte da Calúnia e Difamação de Luís XIV” a Napoleão (2012), de Robert Darnton. Em seguida, Marlíbia Raquel de Oliveira, informa-nos sobre o trabalho de Francisco César Alves Ferraz, intitulado“A Guerra que não acabou: a reintegração social dos veteranos da Força Expedicionária Brasileira (1945-2000)”. Por fim, Carla Albala Habif resenha o filme “Belém: zona de conflito (Bethlehem)” do diretor israelense Yuval Adler.

    Antes de encerrar, uma notícia de interesse de todos os nossos colaboradores. O Boletim Historiar foi indexado junto ao Latindex, base com periódicos da América Latina, Caribe, Portugal e Espanha. A inserção da nossa revista é motivo de alegria e a certeza de que nosso trabalho está sendo reconhecido.  Agradecemos a todos que nos enviaram textos e tem cooperado na divulgação deste periódico.

     

    Boa leitura.

  • ISSN 2357-9145
    n. 5 (2014)

    É com grande satisfação que apresentamos a quinta edição do Boletim Historiar, periódico do Grupo de Estudos do Tempo Presente (GET/CNPq), vinculado ao Departamento de História da Universidade Federal de Sergipe (DHI). Iniciamos esta com alguns apontamentos acerca da importância da compreensão contextual de Karl Marx na produção da concepção do Materialismo Histórico com o artigo O tempo de Karl Marx: as bases filosóficas da concepção materialista da história, de Giselda Brito Silva. Em seguida, no texto A extrema direita argentina em ação: intolerância, violência e antissemitismo (1995-2002), Gabriela Resendes Silva aborda a problemática do antissemitismo praticado na Argentina por grupos de inspirações fascistas. Já em Reflexões sobre concepções de cultura na história: a historiografia da cidade de Fortaleza do século XIX, Patrícia Marciano de Assis reflete sobre a cultura na cidade de Fortaleza e os novos direcionamentos para a escrita histórica local.

    Por sua vez, em “Liberdade, só Fora do Hospício”: Rodrigo de Souza Leão, as instituições e as políticas de assistência psiquiátrica, Thamara Parteka analisa a assistência psiquiátrica no Brasil durante a década de 1990. A edição conta ainda com uma abordagem acerca da relação entre o romantismo e a histeria feminina em A tentativa de controle do corpo das mulheres na modernidade inglesa: as relações entre o romantismo e o falacioso diagnóstico da histeria feminina, de Felipe Weissheimer. Encerrando temos uma abordagem de Andreza Maynard sobre o conceito de “fetichismo de mercadoria”, mais uma contribuição de Karl Marx, pensando a partir do filme “Psicopata Americano” , de Mary Harron, lançado em 2000.

    Por fim, fechando esta edição, temos duas resenhas. A primeira, de Luyse Moraes Moura, sobre a obra O Porteiro do Brasil: O Ministério da Justiça e a Política Imigratória da Ditadura Vargas, sob a Ótica de Fábio Koifman. Em seguida, Aída Barros e Silva nos informa sobre o livro O mundo pós-americano.

    Agradecemos aos autores pelas singulares contribuições e desejamos a todos uma excelente leitura.

     

    Boa leitura.

  • ISSN 2357-9145
    n. 6 (2014)

    O Boletim Historiar encerra 2014 com a sensação de dever cumprido. Desde o nosso primeiro número, enfrentamos e vencemos diferentes desafios. Para fechar com chave de ouro, estamos publicando nesta edição nosso primeiro dossiê intitulado Nova História Política: “novos” e “velhos” caminhos para se fazer história, organizado por Natália Abreu Damasceno. O dossiê discute a Nova História Política a partir de trabalhos com abordagens aparentemente mais tradicionais, bem como através de análises mais inovadoras.

    O dossiê é composto por cinco artigos. Iniciando temos Angelita Cristina Maquera em A historiografia do movimento operário brasileiro na década de 1980: uma análise política, que procura compreender a historiografia sobre o operariado brasileiro. Em seguida, O nascimento da polícia em Londrina de 1934 a 1955, Ingrid Carolina Ávila analisa a ação do aparato policial na cidade de Londrina por meio da perspectiva de Michel Foucault. O terceiro artigo, de autoria Natália Abreu Damasceno, Pelo poder de “fazer ver” e “fazer crer”: as relações Brasil-Estados Unidos a partir do jornal Última Hora (1951-1954), observa questões das relações internacionais a partir de um periódico impresso fundamental nos estudos do Brasil de meados do século XX.

    O dossiê ainda conta com o texto Música, neofascismos e a Nova História Política: Uma análise sobre a presença do Hate Rock no Brasil (1990-2010), de Pedro Carvalho Oliveira, que investiga o fascismo no Brasil através da análise de músicas como ferramentas disseminadoras do discurso de ódio. Por fim, Bruce dos Santos e Letícia Augustin em Wikileaks, Snowden e a Nova História Política analisam os vazamentos de informações dos casos Wikileaks e Snowden.

    Para fechar a edição também publicaremos a resenha de Sabrina Fernandes Melo Um quiosque na ponta extrema do Kamchatcka. Assim, desejamos um Feliz Ano Novo e agradecemos a colaboração e apoio de todos.

     

    Os editores

     

  • ISSN 2357-9145
    n. 7 (2015)

    É como muita alegria que apresentamos a 7ª edição da Revista Boletim Historiar em sua comemoração de aniversário. Há um ano atrás o periódico dava seus primeiros passos em uma jornada visando tornar-se respeitado entre os historiadores e pesquisadores das Humanidades de uma forma mais geral. Foi um período de trabalho árduo, mas satisfatório. Isso nos motiva a continuar melhorando e contribuindo cada vez mais com debates acadêmicos sobre a nossa sociedade. E isto ganha ainda mais importância neste começo de 2015, um ano que já começou com diversas discussões intrigantes.

    Abrindo a edição, Chayenne Farias e Daniel Chaves procuram compreender a música contemporânea no Norte do Brasil a partir de discussões sobre o Tecnobrega, hibridismos culturais e fronteiras estéticas. No texto, são abordados dilemas conceituais, questões histórico-historiográficas e balizas temáticas. Em seguida, Katty Cristina Lima Sá analisa a seção Open Source Jihad (OSJ) da Inspire Magazine, a revista oficial da Al-Qaeda. Trata-se de um estudo sobre como a expansão do discurso extremista inspira  novos mujahidins e da importância da rede para sua divulgação.

    Já o terceiro texto, de Diogo Zomer Perin, é um estudo das canções representadas nos circos brasileiros. O autor trabalha com a construção musical realizadas nos circos no início do século XX até a década de 1950 com a expansão da indústria cultural, problematizando a representação das carreiras dos palhaços com suas obras. Ainda temos Rosicleide Henrique da Silva em uma análise das práticas culturais utilizado por estudantes secundaristas e universitários de Campina Grande, na Paraíba,- como espaço de sociabilidade e resistência à Ditadura Militar.

    Por fim, o último artigo é de Lidiane Álvares Mendes e trata da Colônia de Alienados Eduardo Ribeiro entre 1894 – 1930 em Manaus, no Amazonas, como fruto de um projeto de reurbanização social. Ou seja, o isolamento de loucos como uma política modernizante, higienista e sanitária para o discurso da época.

    Assim como as demais edições, nesta também contamos com duas resenhas. A primeira é de Raquel Anne Lima de Assis da obra Para que (m) se avalia? Livros Didáticos e Avaliações (Brasil, Chile, Espanha, Japão, México e Portugal). A segunda, contempla um tema clássico é assinada por Caroline de Alencar Barbosa, que analisa o livro História da Segunda Guerra Mundial- A maior e mais importante guerra de todos os tempos.

    Agradecemos a todos pela colaboração e boa leitura.

     

    Os Editores

  • ISSN 2357-9145
    n. 8 (2015)

    Chegamos a 8 edição da Revista Boletim Historiar em continuidade ao seu empenho de se tornar um periódico com ricas contribuições ao meio acadêmico e as Ciências Humanas. Procurando manter a diversidade temática, ofereceremos nesta edição ao leitor textos sobre imprensa e censura, ensino, identidade, representações, práticas sociais e conflito.

    Começamos com Marcelo de Azevedo Botelho em um trabalho sobre representações da censura na imprensa católica através da analisa do jornal A cruz e da Revista da Conferência dos Religiosos do Brasil e a relação com o governo de Jânio Quadros, em 1961. Em seguida, em um artigo sobre homossexualidade nas escolas, Cassiano Celestino de Jesus observa as concepções de educadores sobre diversidade sexual e apresenta medidas de combate à homofobia nos ambientes escolares que podem ser adotadas por estes profissionais do ensino.

    O terceiro texto é de Jefferson Pereira da Silva. O autor expõe os resultados de um trabalho desenvolvido pelo PIBID História da UFRN. Trata-se de um estudo sobre a Capoeira em perspectiva histórica, do Império até o século XXI, e sua relação com discursos e conflitos da identidade nacional. Já Cleverton Barros de Lima analisa Joel Silveira através do periódico Diretrizes, em 1941, e do livro de contos Onda Raivosa, de 1939.

    O último artigo é de Camila Ferreira Braga em uma pesquisa sobre fotografia em Manaus no início do século XX. Relacionando com o contexto histórico, a autora analisa a fotografia como uma prática social da elite local. Por fim, em comemoração aos 70 anos do fim da Segunda Guerra Mundial, temos duas resenhas sobre o tema. A primeira é Dércio Cardoso Reis sobre o livro Leituras da Segunda Guerra Mundial em Sergipe. A segunda, de Thaís da Silva Tenório, da obra Soldados: Sobre Lutar, matar e morrer.

    Somos gratos a todos pelo apoio e colaborações e desejamos uma boa leitura.

     

    Os Editores

  • ISSN 2357-9145
    n. 9 (2015)

    Com trabalhos em torno da História, Relações Internacionais, Política e Psicologia, aparece a 9ª edição da Revista Boletim Historiar. Como de costume, artigos e resenhas contribuem em discussões científicas perpassadas pela interdisciplinaridade, proporcionando trocas enriquecedoras entre diversas aéreas na construção do conhecimento.

    Abrindo esta edição Liz Carolina da Silva Simões estuda o Estado de Mianmar e a segurança internacional, relacionando a questão aos grupos minoritários. Na ordem, em trabalho desenvolvido por Luiz André Maia Guimarães Gesteira, temos um estudo sobre o capital imperialista e os golpes de Estados na América Latina durante a Guerra Fria. O texto analisa a trajetória política de alguns chefes de Estados que participaram destes golpes.

    Já o terceiro artigo, de Arlindo Palassi Filho, recua um pouco mais no tempo e enfoca a ascensão e queda da República das Províncias Unidas dos Países Baixos entre 1579 a 1795. O debate de Palassi Filho se situa no contexto da formação do Estado Moderno neerlandês. Em seguida, Gilvânia Andrade do Nascimento e Gleidson Santos da Silva, investigam em perspectiva histórica o processo de implantação do curso de Ciências Contábeis em Sergipe.

    Há ainda um último artigo, de Camylle Christiane Azevedo Santos e José Uanderson Nery, que estuda o papel do observador ou terceiros nas interações sociais em uma investigação sobre altruísmo e normas sociais. Por fim, duas resenhas encerram esta edição. A primeira, de Anailza Guimarães Costa, analisa a obra A Era Chávez e a Venezuela no Tempo Presente. Já Katty Cristina Lima Sá, aborda o grupo jihadista Estado Islâmico conforme a obra A fênix Islamita: o Estado Islâmico e a reconfiguração do Oriente Médio.

    Agradecemos pela colaboração de autores, com a submissão de textos, e leitores pela frequente divulgação do periódico. Desejamos a todos uma boa leitura.

    Os Editores.

  • ISSN 2357-9145
    n. 10 (2015)

    Chegamos ao número 10 e, para nossa satisfação, fomos classificados pelo Qualis da Capes com B4 em História. Deste modo, é com grande alegria que comemoramos este lançamento tão significativo.

    O primeiro artigo é a contribuição de Karl Schurster e Lucas Borba em um estudo sobre a ascensão do partido da extrema direita francesa Front National. Observando o contexto pós-crise 2008, os autores procuram explicar as causas deste crescimento no cenário político francês. Em seguida, Adriana Mendonça Cunha analisa a atuação do norte-americano Robert King Hall no Brasil entre as décadas de 1940 e 1950. Hall era um pesquisador, especialista em Educação Comparada, representante do governo norte-americano e enviado em missões culturais em diversos países. Assim, a autora utiliza-se de documentos produzidos por Hall em português.

    Os dois artigos seguintes abordam a Segunda Guerra Mundial. No primeiro deles, Raquel Anne Lima de Assis apresenta aspectos dos serviços de inteligência dos Estados Unidos e da Inglaterra. Na sequência, Caroline de Alencar Barbosa estuda de que maneira os aracajuanos utilizaram os espaços de sociabilidade durante este período. Ou seja, a partir do levantamento de jornais da época, a autora analisa o cotidiano em Aracaju diante dos torpedeamentos de navios mercantes em 1942 pelos nazistas.

    Temos ainda Valéria Oliveira Barbosa que investiga o processo de musealização realizado a partir do estudo sobre as eleições em Sergipe entre os anos de 1940 a 1980. É uma história de Sergipe contada através do uso de QR Codes que direcionaram ao site “Guia de Eleições em Sergipe”. Já no sexto artigo, um trabalho sobre cinema e memória, Maria Viviane de Melo Silva, aborda a relação entre ambos através da análise sobre o Cine Palácio. Este cinema funcionava no município de Palmeira dos Índios, agreste de Alagoas, durante a década de 1960. Por fim, contamos ainda com a resenha de Andrey Augusto Ribeiro dos Santos para a obra O Cinema vai à Guerra.

    Agradecemos pela colaboração de autores, com a submissão de textos, e leitores pela frequente divulgação do periódico que nos ajudaram a chegar a esta 10ª edição e a uma qualificação B4 no principal ranking de publicações científicas do Brasil. Desejamos a todos uma boa leitura.

     

    Os Editores.

     

     

  • ISSN 2357-9145
    n. 11 (2015)

    Mais uma edição da revista Boletim Historiar vai ao ar dando continuidade ao trabalho que cada vez mostra os frutos satisfatórios do nosso esforço. Assim, apresentamos temas que perpassam pela história, pela educação, pelas letras e pela museologia.

    Iniciando a 11ª edição temos Andreza Santos Cruz Maynard com artigo sobre os mecanismo utilizados pelos praças que ingressavam no 28º Batalhão de Caçadores (28º BC) em Sergipe, mas que desobedeciam as normas de comportamento impostas pelo Exército entre 1922 e 1930.  Em seguida, Hermeson Alves de Menezes aborda sobre os livros didáticos de história de Sergipe e sua produção editorial para compreender sua importância na construção da cultura escolar.

    O terceiro artigo é um trabalho de Lucas Eduardo Gaspar que se propõe a discutir as obras que abordam sobre a cidade, a caracterização do espaço urbano, a histórica luta por moradia e os indivíduos envolvidos nestes processos. Já Andre Rodrigues analisa as críticas dos jornais anarquistas A Plebe e A Lanterna às ligações entre o catolicismo e os movimentos fascistas nos anos 1932 a 1935.

    Em um texto sobre subjetividade e identidade no texto acadêmico, Fernanda Taís Brignol Guimarães e Vinícius Oliveira de Oliveira investigam esse tema em um trabalho de dissertação composto por cartas endereçadas a interlocutores reais através da ótica da Análise Dialógica do Discurso – ADD. Ainda temos o artigo de Raphael Vladmir Costa Reis que desenvolve uma pesquisa sobre as eleições em Sergipe entre os anos 1947 a 1962. Seu foco é a análise expográfica do Centro de Memória da Justiça Eleitoral de Sergipe (CEMEL/TRE-SE), a concepção e montagem de uma exposição em espaço público em Aracaju e a elaboração de QR Codes que direcionaram ao site “Guia de Eleições em Sergipe”.

    Finalizando a edição, como de costume, temos uma resenha de Diego Leonardo Santana Silva intitulada A história dos gigantes da mídia: Os Impérios da Comunicação do telefone à internet, da AT&T ao Google.

    Agradecemos a todos pela colaboração e apoio com submissões de textos e com a frequente divulgação do periódico. Desejamos uma boa leitura.

     

    Os Editores.

  • ISSN 2357-9145
    n. 12 (2015)

    Nos despedimos de 2015 com mais uma edição. Foi um ano de árduo trabalho que nos resultou em bons frutos. Prova disto foi a avaliação de Qualis B4 em História pela Capes. Assim, encerrando o ano, a 12ª edição inicia com o artigo de Diego Grossi que analisa a revolução norte-coreana através da ideologia Zuche, por meio de uma perspectiva comparada, ao legado de Karl Marx e Friedrich Engels.

    Em seguida, Marlíbia Raquel de Oliveira estuda as notícias de jornal Correio de Aracaju sobre o retorno dos pracinhas da Força Expedicionária Brasileira ao estado de Sergipe marcado por homenagens prestadas a esses combatentes no ano de 1945. Ainda sobre Sergipe, Mara Jane Santos Alves aborda sobre eleições durante a ditadura militar no Brasil (1964-1980) por meio de levantamentos de dados quantitativos para a produção do site “Guia das Eleições em Sergipe” e dos QR Codes que direcionam ao site.

    O quarto texto, de Maria Clara da Silva Cavalcante, procura analisar o desenvolvimento urbano de Paulista, uma vila operária no estado de Pernambuco e propriedade de uma companhia de tecidos, e a sua construção como espaço social e cultural entre os anos de 1930 a 1950. Na sequência, em um trabalho sobre Sérgio Buarque de Holanda, Eduardo Augusto Santos Silva observa as contribuições do historiador para a historiografia brasileira nos anos 1930.

    Ainda temos o artigo de Luis Alberto Gottwald Junior que estuda o docudrama cinematográfico brasileiro de Jorge Bodanzky e sua aproximação com o Cinema Novo Alemão. Por fim, uma resenha de Adson do Espírito Santo da obra O movimento queremista e a democratização de 1945 de Michelle Reis de Macedo.

    Agradecemos a todos pela colaboração e apoio com submissões de textos e com a frequente divulgação do periódico. Desejamos uma boa leitura e um ótimo 2016.

     

    Os Editores.

  • ISSN 2357-9145
    n. 13 (2016)

    Esta edição marca o inicio de mais um ano de trabalho com a esperança que 2016 nos proporcione frutos tão bons ou melhores que 2015 nos trouxe. Assim iniciamos com um artigo de Talita Emily Fontes da Silva que analisa as observações de Graciliano Ramos sobre a URSS em pleno contexto da Guerra Fria. Em seguida, Guilherme Augusto Batista Carvalho expõe sua pesquisa sobre o papel da Aliança Democrática Brasileira durante o período de 1980-1985.

    No terceiro texto, Jandson Bernardo Soares, Jefferson Pereira da Silva e Wendell de Oliveira Souza se propõem a refletir sobre os conceitos de livro didático e espaço escolar nas produções de Margarida Maria Dias de Oliveira, analisando artigos e livros produzidos pela autora sobre o assunto. Ainda temos Maria Helena Alves da Silva em uma discussão sobre o uso das fotografias e pinturas como fontes primárias do historiador. Já o último artigo desta edição, de autoria de Marinilse Cândida Marina Busato e Leandro Mayer, aborda a colonização italiana e alemã no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, respectivamente, entre os séculos XIX e XX, por meio da ideia de identidade e pertencimento.

    Por fim, ainda temos duas resenhas. A primeira, de autoria de Mariana Meneses Silvestre de Sousa, é sobre a obra Autonomia e Desigualdades de Gênero: contribuições do feminismo para a crítica democrática de Flávia Millena Biroli Tokarski. A segunda, de Katty Cristina Lima Sá, apresenta o livro Na pele de uma jihadista, de Anna Erelle.

    Agradecemos a todos pela colaboração e apoio com submissões de textos e com a frequente divulgação do periódico. Desejamos uma boa leitura e que possamos manter essa parceria em 2016.

     

    Os editores.

  • ISSN 2357-9145
    n. 14 (2016)

    Futebol, gênero, patrimônio, identidade e relações internacionais são assuntos tratados na 14ª edição da Revista Boletim Historiar. Assim, mais uma vez procuramos atender leitores com diferentes objetivos e, consequentemente, contribuir no enriquecimento de variadas áreas.

    Iniciando a edição temos Eduardo de Souza Gomes que analisa o processo de profissionalização do futebol colombiano em 1948, e sua transformação em um “esporte espetáculo”. Conhecido como período El Dorado desse esporte no país, enquanto o contexto político era marcado por disputas entre liberais e conservadores. Em seguida, Cassiano Celestino de Jesus e Isis Furtado Almeida refletem sobre as redefinições do papel da mulher na sociedade norte-americana no contexto após a II Guerra Mundial. Para tal, os autores analisam a influência do movimento feminista na luta para a permanência da mulher no espaço conquistado durante o conflito.

    Ainda sobre gênero, Thaís da Silva Tenório aborda sobre sexualidade feminina através da história em quadrinho Garota Siririca, da cartunista Gabriela Masson (2015). Assim, entender a obra como um instrumento a serviço das lutas feministas. Mudando o foco, o quarto artigo, de Estefanni Patricia Santos Silva, é um trabalho sobre patrimônio cultural da produção de renda irlandesa em Sergipe. Apresentando, portanto, as características de um bem imaterial nas cidades de Divina Pastora e Laranjeiras.

    O último artigo, dentro do campo das Relações Internacionais, é de Caíque de Holanda. O autor estuda os problemas de consolidação de uma identidade geral e aceita por todos na Indonésia no século XXI. O principal obstáculo observado é devido à vasta diversidade cultural do país por se tratar de um arquipélago com cerca de 13.500 ilhas.

    Temos ainda, para finalizar a edição, duas resenhas. A primeira é de Caroline de Alencar Barbosa da obra O Inimigo Judeu: propaganda nazista durante a Segunda Guerra Mundial e o Holocausto, autoria de Jeffrey Herf. A segunda é de Dércio Cardoso Reis do livro Getempo: memórias de uma coluna na Infonet organizado por Dilton Cândido Santos Maynard.

    Agradecemos a todos pela colaboração e apoio com submissões de textos e com a frequente divulgação do periódico. Desejamos uma boa leitura.

     

    Os editores.

  • ISSN 2357-9145
    n. 15 (2016)

    A décima quinta edição do Boletim Historiar apresenta 7 trabalhos. São textos que dialogam com diferentes campos do saber, seja priorizando o universo da cultura, a complexidade da política, o fascínio das novas tecnologias ou ainda a especificidade das relações internacionais, em todos eles encontramos o esforço inesgotável para refletir, em perspectiva interdisciplinar, sobre os mais diferentes aspectos da sociedade, sobre as identidades, conflitos e transformações no tempo presente. E em todos eles, a História é a coordenada central.

    No primeiro texto, baseado na Historia Cultural e na História Intelectual, Patrícia de Sousa Nunes Silva e Josefa Eliana de Souza procuram explorar estes campos através do método da biografia coletiva. As autoras estudam intelectuais e médicos sergipanos, apresentando suas trajetórias e contribuições nas áreas da saúde e educação em Sergipe. Tratam-se de Garcia Moreno, José Machado, Garcia Filho e Nestor Piva. Para tal estudo, utilizam os conceitos de intelectual e de rede de sociabilidade na perspectiva de Jean François Sirinelli, aplicando tais ideias na vida educacional, profissional e institucional destes intelectuais.

    Ainda na área de História Cultural, mas por meio da História e Cinema, Carlos Wagner Tavares da Silva estuda o filme estadunidense “A Conquista do Oeste” (How the West Was Won), produzido em 1962. O autor procura perceber como os norte-americanos tentaram transmitir sua cultura através de produções cinematográficas sobre a conquista do Oeste no século XIX.

    Ainda no campo da História Cultural, mas agora através da literatura, Caroline Moema Dantas Santos analisa a obra “Alexandre e Outros Heróis” de Graciliano Ramos, publicada em 1944. Trata-se de um livro infanto-juvenil que procura retratar o cenário nordestino, mais especificamente o alagoano, onde o autor nasceu. Assim, a autora identifica como em “Alexandre e Outros Heróis” é descrito o Nordeste da década de 1930, suas questões políticas e sociais e sua identidade regional. Santos percebe, desta forma, uma relação entre o tempo dos personagens e o tempo do autor, isto é, como a ficção e a realidade sociopolítica de Graciliano Ramos se misturam.

    Em seguida, Diego Leonardo Santana Silva apresenta e descreve a história da internet como um produto da Guerra Fria, e as transformações causadas no cotidiano com o advento do ciberespaço. O autor reflete sobre como os meios digitais possibilitaram o surgimento de um novo modo de viver em sociedade, possibilitando facilidades, como a o acesso as informações de forma mais rápida, mas também com alguns perigos, como ações criminosas praticadas nas redes. O trabalho se encaixa no campo historiográfico da Digital History através do estudo de uma História do Tempo Presente com foco na cibercultura e sua inserção nas transformações culturais.

    Outro campo historiográfico presente nesta edição é a História Política. Isso pode ser verificado no artigo de Carla Darlem Silva dos Reis que analisa a transição presidencial entre o governo de Jânio Quadros e João Goulart em 1961, a chegada deste ao poder em meio às oposições e conflitos e como neste cenário foi orquestrado o Golpe Civil-Militar de 1964. A autora observa como jornais de amplitude nacional e regional influenciaram a formação do pensamento político brasileiro se posicionando politicamente e ideologicamente conforme os ideais daqueles que eram responsáveis por tais periódicos. Portanto, Reis procura verificar como os meios de comunicações são ferramentas utilizadas nos jogos políticos para desconstruir a ideia de que são apolíticos e imparciais.

    Por fim, temos ainda duas resenhas que contribuem na área das Relações Internacionais. A primeira é de Adriana Mendonça Cunha sobre a obra “Brasil: os frutos da guerra” de Neill Lochery. A segunda resenha é de Gabriela Rezendes Silva do livro “Sudamérica: Infraestructura e Integración – la Hidrovía Paraná-Paraguay” da pesquisadora argentina Laura Maira Bono.

    Agradecemos a todos pela colaboração e apoio com submissões de textos e com a frequente divulgação do periódico. Desejamos uma boa leitura.

     

     Os editores.

     

  • ISSN 2357-9145
    n. 16 (2016)

    A 16ª edição da Revista Boletim Historiar marca uma nova fase do periódico. Deixamos de ser uma publicação bimestral e adotamos a periodicidade trimestral, esperando assim melhor atender as demandas dos textos enviados. Isso nos possibilita empreender um trabalho de maior envergadura para continuarmos com uma contribuição de qualidade ao meio acadêmico. Para este novo número, apresentamos textos sobre historiografia, política, cultura e educação, confirmando nosso compromisso com a interdisciplinaridade.

    O primeiro, em um artigo de história da historiografia brasileira, Luís César Castrillon Mendes faz uma análise do texto de Carl Friedrich Phillipp von Martius . Trata-se de um projeto de escrita da história da nação publicado na Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), em 1845. Essa publicação concorreu e ganhou o concurso oferecido pela instituição para selecionar o trabalho que melhor apresentasse a forma de se produzir uma História Geral do Brasil e que delimitasse a fronteira entre história antiga e moderna da nação. Tal processo ocorreu diante de uma política de construção e integração nacional, influência do iluminismo do século XVIII na concepção de história do IHGB, ao lado da especialização e profissionalização da disciplina histórica do XIX com usos metodológicos dos historicistas prussianos. Desta forma, Castrillon Mendes analisa os métodos para o trabalho com periódicos e realiza um debate epistemológico sobre a produção da narrativa histórica diante de sua cientificização.

    Também sobre indivíduos, através da microhistória, Maria Luiza Pérola Dantas Barros realiza um trabalho de História Cultural ao analisar o caso de Nelson de Rubina diante dos torpedeamentos de navios mercantes no litoral sergipano em 1942, no contexto da Segunda Guerra Mundial. Com o ataque, corpos chegaram às praias de Sergipe e Rubina foi acusado de furto e vilipêndio para com uma destas vítimas. Sendo assim, a autora analisa o processo-crime deste personagem para observar o cotidiano aracajuano diante do cenário da II Guerra e do Estado Novo. Para isto, utiliza-se dos conceitos de homem novo, disseminado pelo governo de Getúlio Vargas, e de homem cordial, adaptado por Sergio Buarque de Holanda em Raízes do Brasil, na figura de Nelson de Rubina e da sociedade no qual estava inserido e suas contradições.

    Ainda no âmbito da história nacional, mais especificamente no campo da História Política, Adriano Souza Vieira procura debater sobre as consequências das Reformas de Bases propostas entre 1960 e 1964, no governo de João Goulart e antecedente ao Golpe Civil-Militar de 1964, na construção de uma consciência histórica entre os brasileiros. Para tal, o autor utiliza-se do aporte teórico e metodológico da História do Tempo Presente e o conceito de cultura histórica a partir da perspectiva da Didática da História. Assim, o autor analisa aspectos políticos, econômicos e culturais relacionados às políticas planejadas por Goulart referente às Reformas de Base.

    Também no campo do poder, o texto de Gabriel Almeida Miranda e Mariana Rupprecht Zablonsky nos traz uma breve análise do enclave Cabinda e sua relação com o Estado e o governo Angolano. Utilizando como fontes periódicos virtuais, resoluções e comunicados do Conselho Nacional do Povo de Cabinda, os autores buscam mostrar que as divergências entre as duas regiões perpassam por questões culturais, étnicas, políticas e econômicas, pontuando os principais motivos que levam Cabinda a reivindicar sua independência.

    Dando continuidade, o texto de Elisabete Santos  possui como referencial metodológico e seus pressupostos a História do Tempo Presente e o campo da Didática e do ensino de História.  A autora realiza uma análise de dois livros didáticos, Temas do Brasil Contemporâneo e História e Historiografia Brasileira, que são utilizados como recurso didático do curso de História na modalidade à distância. Tendo como objetivo perceber similitudes e diferenças entre as representações elaboradas no interior da UFS sobre os cadernos de aulas, o texto traz algumas especificidades técnicas que os livros abordam, quanto à sua formatação, organização, escolhas didáticas e noções desenvolvidas por estudiosos sobre o livro didático tais como Roger Chartier e Itamar Freitas.

    O mesmo faz Taysa Kawanny Ferreira Santos que também trabalha com o campo da Didática da História e do Tempo Presente. O seu artigo trata-se de uma revisão de literatura realizada nos sites Cielo, Capes e Domínio Público a cerca da produção científica que possuem como objeto de estudo ou tema as associações inglesas: Historical Association, Royal Historical Society e/ou suas revistas - Annual Bulletin of Historical Literature e English Historical Review. Tais associações inglesas, que surgiram nos séculos XIX e XX e mantêm-se até os dias atuais, são produtoras de discursos importantes sobre a Didática da História. Adotando a metodologia da História do Tempo Presente, a autora buscou “quem”, “quando” e “onde” se escreve sobre os fundamentos de uma Didática da História. O debate ao longo do seu texto é embasado nos pressupostos teóricos de autores Jörn Rüsen, Marc Bloch, Antonie Prost e Itamar Freitas.

    Por fim, ainda temos Bruno Cesar Cursini em resenha sobre a obra A Folha de S. Paulo e o Governo Hugo Chavez (2002-2005), autoria de Tiago Santos Salgado.

    Agradecemos a todos pela colaboração e apoio com submissões de textos e com a frequente divulgação do periódico. Desejamos uma boa leitura.

     

     Os editores.

  • 1º Volume: Dossiê Violência no Século XX: entre trauma, memória e história - ISSN 2357-9145
    n. 17 (2016)

    Foi com grande satisfação que acolhemos o convite da Revista Boletim Historiar para realizar um Dossiê com os trabalhos realizados pelos alunos do curso Violência no Século XX: entre trauma, memória e história, oferecido no Programa de Pós-graduação em História Social da UFRJ, no primeiro semestre de 2016.

    Franz Rosenzweig, filósofo judeu-alemão que lutou na I Guerra Mundial, em seu Estrela da Redenção, obra escrita em cartões postais desde as trincheiras dos Balcãs, lembra-nos do significado daquela guerra como a preeminência da humanidade em marcha em relação aos homens de carne e osso: "Que o homem se enterre como um verme nas entranhas da terra nua, diante dos tentáculos sibilantes da morte cega e impiedosa, que ele possa sentir lá, em sua violência inexorável, o que normalmente ele nao sente jamais: que seu eu passaria a ser apenas um isso se viesse a morrer, e que cada um dos gritos ainda contidos em sua garganta possa clamar seu eu contra o implacável que o ameaça desse aniquilamento inimaginável... diante de toda essa miséria, a filosofia sorri com seu sorriso oco"[1]

    O longo século XX testemunhou diferentes formas de violência –  genocídios, colonialismos, guerras nacionais e civis, lutas por autodeterminação, movimentos civis armados, revoluções, golpes de estado, atos de terrorismo que desafiaram tradições de sociabilidade e pacificação, construídas com alguma esperança e com fundamentos éticos, desde o iluminismo. Um importante repto vem se impondo à reflexão historiográfica, uma vez que esses fenômenos, de pertubadora violação de vidas e de direitos, movidos por formas cada vez mais sofisticadas de violência, promoveram traumas, medos, ressentimentos, melancolia, vingança, ódio e desesperança. Uma atmosfera recorrente de sentimentos morais difusos, confusos e de difícil apreensão ontológica e epistemológica, impõe-se,  além das estruturas, dos fatos e da temporalidade moderna, como desafio crucial para os que enfrentam de algum modo o tema da violência em suas variadas manifestaçoes. Há, nesse cenário, descontinuidades narrativas, geralmente negligenciadas pelos historiadores, mas obviamente presentes no recalcamento dos que viveram e sobreviveram à violência desse longo século. Inevitavelmente, essa miríade de fenómenos históricos violentos precipitaria uma viragem epistemológica pós-estruturalista, que só a partir no desfecho da II Guerra Mundial ganha maior ênfase. O curso "Século XX: entre trauma, memória e história", teve como objetivo explorar um certo tipo de produção historiográfica que vem assumindo desde o final da II Guerra Mundial o papel nada confortável de tratar o tema da memória e da história em tempos sombrios.

    O conjunto de trabalhos elaborados no curso e que perfazem esse dossiê, qualifica-se pela diversidade de focos, abordagens e temas que resultaram da reflexão sobretudo das formas em que a história e a memória esgrimam pela legitimidade narrativa de circunstâncias que envolvem violência, violações, genocídios, como também pelo desafio de refletir e elaborar narrativas sobre a atmosfera dos sentimentos morais  que nasce dessas circunstâncias.

    Algo de surpreendente resulta desses trabalhos. Cada um ao seu modo dialoga com teorias, métodos, narrativas, interpretações, literatura que direta ou indiretamente correspondem à questões tratadas ao longo do curso. Há desde temas sobre história, memória e a I Guerra Mundial, sobre monumentos, patrimônios históricos, sobre holocausto e sentimentos morais, sobre justiça de transição e o conceito de história, sobre testemunho, trauma e homossexualidade, sobre cinema e conflitos, sobre cultura de guerra e Guerra Fria, sobre memória, opinião pública e imprensa, sobre violênciae literatura de ficção, sobre dilemas da identidade nacional, enfim, um leque extenso de variações sobre o mesmo tema da violência-história-memória. O resultado vocês terão a oportunidade de conferir no Dossiê que ora se apresenta no Boletim Historiar e que, esperamos, possa colaborar com debates e pesquisas no campo da história da contemporaneidade, séculos XX e XXI.

     

    Monica Grin e Silvia Correia


    [1] Franz Rosenzweig, L'Etoile de la rédemption, Paris, Seuil, 1982, p. 11.

  • 2º Volume: Dossiê Violência no Século XX: entre trauma, memória e história - ISSN 2357-9145
    n. 18 (2017)

    É com grande satisfação que nesta edição damos continuidade a publicação do “Dossiê Violência no Século XX: entre trauma, memória e história” com seu segundo volume. Organizado pelas professoras Monica Grin e Silvia Correia, o dossiê foi composto por trabalhos de alunos do curso “Violência no Século XX: entre trauma, memória e história”, oferecido pelo Programa de Pós-graduação em História Social da UFRJ em 2016.

     

    No primeiro artigo Lucas Vinicius Erichsen, analisa o livro “Matadouro 5, ou A Cruzada das Crianças: Uma dança de etiqueta com a morte” de Kurt Vonnegut, (1969). É uma narrativa-testemunho do autor que serviu ao exército americano e foi prisioneiro dos nazistas durante a II Guerra. Assim, Erichsen procura estudar sobre a historicidade das práticas do matadouro, entendendo as possíveis maneiras de abordar sobre o tempo, o testemunho e a memória de guerra.  Ainda sobre Historia e Memória no campo da História do Tempo Presente, Willian Santos Pereira estuda as cartas publicadas pela revista Veja em 1989 sobre Fernando Collor de Mello. O autor analisa a representação da imagem política de Collor  pelos leitores durante a eleição presidencial. Desta forma, trabalha com a memória em depoimentos escritos para entender como essas pessoas expressavam seus sentimentos utilizando suas experiências para discutir o presente.

     

    Em seguida, Lucas de Mattos Moura Fernandes estuda ideias de ensaístas e historiadores sobre a relação entre História e Memória e as experiências traumáticas do século XX causadas por atos de violência. Para assim compreender como tais acontecimentos foram reelaborados através de testemunhos, favorecendo a construção de uma narrativa e de uma identidade. Seguindo o campo da História e Memória, João Paulo Henrique Pinto procura compreender a construção de uma memória histórica oficial angolana. Foram analisados livros didáticos de história do país após a independência e utilizados pelo seu sistema educacional. O autor apresenta como ocorreu o processo pela busca de uma identidade nacional ao questionarem a colonização portuguesa em meio a uma diversidade étnica, racial e cultural. Contextualizando esse processo com o desenvolvimento de seu sistema educacional.

     

    No último artigo do dossiê e sobre História e Cinema, Andrey Augusto Ribeiro dos Santos analisa como as narrativas israelense e palestina sobre o confronto entre ambos aparecem no cinema.  Seu objeto são os filmes, Munich, uma produção norte-americana de Steven Spielberg, e Paradise Now, uma produção palestina do árabe-israelense Hany Abu-Assad, ambas de 2005. Sendo Marc Ferro e Robert Rosesntone os seus principais referenciais teóricos para buscar no cinema reflexos da sociedade que o produziu em torno a um debate político e uma construção da memória coletiva.

     

    Além do dossiê temos Caroline de Alencar Barbosa em trabalho sobre a importância da propaganda nazista na educação dos alemães durante a II Guerra. Suas fontes são os cartazes publicados no periódico Der Stürmer, pertencente ao publicitário Julius Streicher. Tais cartazes disseminavam o ódio antissemita, trazendo o judeu como o “outro” conveniente. Também sobre Educação, Matheus Oliveira da Silva debate sobre a Base Nacional Curricular Comum, referente às mudanças no ensino de história. Devido à quantidade de críticas que a proposta sofreu de diferentes seguimentos, o autor buscou notas, cartas e pareceres de entidades de classe sobre a Base a fim de compreender qual é o ensino de história idealizado.

     

    Agradecemos a todos pela colaboração e apoio com submissões de textos e com a frequente divulgação do periódico. Desejamos uma boa leitura.

     

    Os editores. 

  • ISSN 2357-9145
    n. 19 (2017)

    Eis aqui mais um número do Boletim Historiar.

    Abrindo a edição temos um trabalho de História Política e História Comparada de autoria de Francisco Diemerson de Sousa Pereira sobre a Ditadura Militar no Brasil. O autor analisa os documentos consulares norte-americanos referentes a situação sócio-política em Sergipe e na Bahia diante do golpe de 1964, verificando possíveis apoios regionais ao governo ditatorial. Na sequência, também no campo da política e da perspectiva comparada, Fernanda Cristina Nanci Izidro Gonçalves e Rayane Mourão de Magalhães   estudam os caminhos tomados pelo Brasil e pela Colômbia no combate ao narcotráfico entre 2002 e 2010.

    Em seguida, Rodrigo Capistrano também utiliza da abordagem política para analisar documentários brasileiros nos últimos dez anos. O autor encara este tipo de produção como uma ferramenta de engajamento social com o objetivo de influenciar os expectadores na tomada de consciência. Seguindo o fluxo no campo do poder, o texto de Israel Aquino e Vanessa Voltaire analisa como o movimento artístico "Nueva Canción Latinoamericana", no Chile e na Argentina nos anos 60 e 70, atuaram como um instrumento político e estético de luta contra a indústria cultural tradicional, aos movimentos do imperialismo e como uma tentativa de resistência aos governos de exceção civil-militares.

    Temos ainda política e História do Tempo Presente com o texto de Pedro Carvalho Oliveira. O autor realiza uma análise sobre o gênero musical neofacista Hate Rock e a construção político-ideológica empreendida por grupos neofascistas. Também pautado no campo da História do Tempo Presente, Katty Cristina Lima Sá, realiza um breve histórico da organização militante islâmica Al-Qaeda, desde a sua fundação em 1989 ao presente. A autora destaca as mudanças estruturais e ideológicas da organização ao longo de sua história e em como tais mudanças a atingiram de maneira prática..

    Por fim temos a resenha de Cleverton Barros de Lima da obra “História do Brasil República: da queda da Monarquia ao fim do Estado Novo” de Marcos Napolitano.                                       

    Agradecemos pela colaboração e apoio com submissões de textos e com a frequente divulgação do periódico. Desejamos uma boa leitura a todos.

    Os editores.

  • ISSN 2357-9145
    n. 20 (2017)

    Mais uma edição no ar e com ela chegamos a vinte números lançados. Nessa caminhada conquistamos não apenas Qualis B4 em história, mas também conseguimos expandir para outras áreas do conhecimento como C em educação, B5 em sociologia e geografia, e B4 em letras/linguística, planejamento urbano e regional/ demografia e administração pública e de empresas, ciências contábeis e turismo.

    Para continuarmos nessa empreitada manteremos com nosso compromisso em publicar mais uma edição tendo como seu primeiro trabalho o artigo de  Karla Karine de Jesus Silva cujo objetivo  é fazer uma discussão entre as ideias de diversos autores para analisar os usos da biografia pela história. Ou seja, em um estudo metodológico da História e Biografia, a autora nos apresenta os tipos de textos biográficos e como eles podem ser usados como fontes para a escrita da história a partir dos pensamentos de diversos teóricos e historiadores, como por exemplo, Giovanni Levi e Pierre Bourdieu.

    Em seguida, ainda sobre indivíduos, mas em um estudo de caso no campo da História e Educação, Adriana Mendonça Cunha analisa como o estadunidense Robert King Hall atuou no programa de educação rural do INEP. A autora analisa as viagens que o pesquisador fez ao Brasil na década de 1940 e sua atuação no programa do governo brasileiro de aprimoramento do ensino na zona rural, contextualizando essa ação com as relações políticas e diplomáticas que o Brasil mantinha com os EUA na época. Já em uma análise de História Social, Bruna Rafaela de Lima Lopes faz uma estudo sobre uma disputa escrita entre o padre Luiz Gonzaga do Monte e o médico Esmeraldo Siqueira entre 1936 e 1937 no Rio Grande do Norte. A autora analisa, por meio de jornais da época, como se deu o embate de ideias entre a ciência e a religião através desses dois personagens, observando  os locais de fala de cada um. Para isso, ela utiliza como aporte teórico as ideias de Roger Chartier e Michel de Certeau. 

    Nosso quarto artigo, autoria de Mônica Porto Apenburg Trindade, trata de uma revisão historiográfica sobre o Estado Novo de obras a partir dos anos 1980. Assim, a autora nos mostra como o tema é tratado nesses trabalhos, as mudanças na maneira de interpretar esse acontecimento histórico sob novas perspectivas e, em seguida, apresenta como essa historiografia aborda esse tema em relação aos Livros Didáticos.  Na sequência, no campo do poder e ainda sobre a escrita da história, o texto de Flávio Rafael Mendes Campos, analisa e explicita fatores considerados “secundários” pela historiografia da Segunda Guerra Mundial, mas que tiveram grande importância no cenário geral. Em sua análise, o autor utiliza uma vasta gama de relatórios, testemunhos e jornais disponibilizados on-line.

    Na área das Relações Internacionais,  o texto de Caíque Leite de Holanda Gomes, traz uma análise de como a queda no valor das exportações do petróleo e gás, aliados à outros fatores, contribuíram para o início de uma crise financeira no Rio de Janeiro.  Ao realizar sua análise, o autor faz um debate a cerca das ideias de sensibilidade e vulnerabilidade imbuídas na teoria da Interdependência Complexa. O autor também discute quais opções o estado do Rio de Janeiro tem para diminuir sua sensibilidade e vulnerabilidade aos embarques petrolíferos.

    Por fim, pautado no campo da História do Tempo Presente, o texto dos autores Diego Leonardo Santana Silva e Carolline Acioli Oliveira Andrade, analisa o blog “Solidariedade à Coréia Popular” (S.C.P.). Trata-se de um Blog brasileiro, fundado em 2010 que tem como proposta divulgar, de maneira positiva, os ideais Juche - a ideologia de Estado da Coréia do Norte. A análise é feita por meio das publicações do blog, sites e pela escassa bibliografia existente sobre o tema.

    Agradecemos pela colaboração e apoio com submissões de textos e com a frequente divulgação do periódico. Desejamos uma boa leitura a todos. 

    Os editores.

     

  • ISSN 2357-9145
    n. 21 (2017)

    Em 2017 fechamos mais um ciclo de trabalho satisfatório. Além de mantermos o Qualis já conquistado anteriormente, conseguimos obter qualificação em outras áreas do conhecimento. Desta forma, lançamos esta última edição do ano motivados a continuar, em 2018, a expandir os muitos diálogos possíveis no campo da história, mas sempre com o desejo de cultivar a interdisciplinaridade.

     

    Abrindo esta edição temos o artigo de Danilo Sorato Oliveira Moreira e Daniel Chaves no campo do ensino de História sobre a Questão do Amapá. Os autores procuram estudar a narrativa histórica sobre esse assunto, cuja a memória foi construída por instituições oficiais como Itamaraty, Senado Federal e Forças Armadas. Para isso, fazem um estudo da realidade das escolas primárias do município de Santana, no Amapá, utilizando do conceito de consciência histórica. Em seguida, Thaís da Silva Tenório faz um trabalho de Cultura Política ao analisar como a formação da identidade nacional foi abordada no quadrinho “Independência do Brasil em quadrinhos” de 1972, em plena Ditadura Militar.

     

    Ainda sobre Cultura Política, Talita Emily Fontes da Silva escreve sobre a VOKS (Sociedade para as relações culturais da URSS) ao analisar a obra “Viagem: Tchecoslováquia – URSS” (1954) de Graciliano Ramos como relato de sua viagem ao país. Portanto, a autora, utilizando o conceito de Soft Power, procura entender como esta instituição foi uma ferramenta do governo soviético para angariar influência no exterior ao manter contato com intelectuais estrangeiros.  Já o texto de Anailza Guimarães Costa analisa como os Estados inglês e norte-americano buscaram educar seus soldados em solo estrangeiro durante a II Guerra Mundial por meio de manuais. Utilizando como método a História Comparada, a autora utiliza analisa os manuais Instructions for American Servicemen in Britain (1942), produzido pelo governo Estados Unidos da América,  e Instructions for British Servicemen in France (1944), publicado pela Inglaterra.

     

    Por sua vez,  o texto de Tiago Santos Salgado aponta as contribuições que dois autores latino-americanos, autônomos e independentes do pensamento marxista, Carlos Mariátegui e Mario Pedrosa, trouxeram ao pensamento latino-americano contrários às doutrinas de alguns setores da esquerda.

     

    Por fim, ainda há duas resenhas. Na primeira, temos Bruno Cesar Cursini em resenha sobre a obra “O pacto autobiográfico - De Russeau à internet”, de autoria de Philippe Lejeune. Na segunda, temos Liliane Costa Andrade em resenha sobre a obra “Segunda Guerra: Histórias de Sergipe”, uma coletânea de textos organizados por Andreza Santos Cruz Maynard, Caroline de Alencar Barbosa e Dilton Cândido Santos Maynard.

     

    Agradecemos a todos pela colaboração e apoio com submissões de textos e com a frequente divulgação do periódico. Desejamos uma boa leitura e um ótimo 2018.

     

     Os Editores.

  • ISSN 2357-9145
    n. 22 (2018)

    Nosso primeiro lançamento de 2018 abre o ano com o Dossiê “História da Educação Brasileira”, fruto dos trabalhos finais da disciplina de mesmo nome do Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal de Sergipe e que foi organizado pelos professores Dr. Joaquim Tavares da Conceição e a Drª. Josefa Eliana Souza.

     

    No primeiro artigo temos Mayra Louyse Rocha Paranhos e Márcia Cristina Rocha Paranhos que fazem uma discussão sobre o uso da educação escolar em políticas governamentais brasileiras, ao final do século XIX e início do XX, ou seja, em um contexto de modernização, que utilizavam de estratégias higienistas com o propósito de incentivar práticas que educassem e civilizassem o corpo. Utilizando do conceito de biopolítica as autoras abordam sobre as tentativas de controlar o corpo para se alcançar uma sociedade civilizada. Em seguida, Caroline de Alencar Barbosa faz uma revisão bibliográfica para observar como os Estados Unidos influenciaram o ensino escolar brasileiro. Analisando o pensamento de alguns intelectuais, tais como, Anísio Teixeira,  Tavares Bastos e Miriam Warde, a autora observa  como no período do Estado Novo e da Segunda Guerra Mundial haviam trocas culturais entre ambos os países e tentativas de aplicar a ideia de American way for life que influenciaram as ideias sobre a educação brasileira.

     

    Já Wênia Mendonça Silva estuda como a cultura escolar pode sofrer alterações em seu currículo conforme as demandas políticas e sociais de um determinado contexto. Assim, a  autora  analisa como no período de 1890 à 1945, diante do processo de implementação da República brasileira, gerou-se reformas educacionais que introduziram a educação musical, o Canto Orfeônico, como disciplina obrigatória com propósitos modernizantes. Ainda neste contexto histórico, o texto de Emily Maise Feitosa Aragão, aborda discussões sobre a educação no primeiro jardim de infância de Sergipe entre o final do século XIX e início do século XX. Sua pesquisa tem por objeto de estudo o jardim de infância  Augusto Maynnard, o qual possuía um projeto educacional produzido pela Nova Escola brasileira, com inspirações norte-americanas e europeias.

     

    No nosso quinto artigo Ricardo Costa dos Santos refaz o percurso do Ginásio de Aplicação da Faculdade Católica de Sergipe, desde a sua fundação (1959) até o ano de 1969, evidenciando os elementos da cultura escolar, o currículo, bem como a presença da língua francesa. Quanto ao último texto do dossiê, Laís Gois de Araújo analisa o “Manifesto dos pioneiros da Educação Nova”, publicado em 1932, debatendo as suas continuidades e rupturas quanto à  concepção de educação popular. Em seguida, a autora apresenta e discute algumas ideias da proposta freiriana.

     

    Por fim, na sessão de artigos livres, no campo da História Comparada, temos o texto de Andrey Augusto Ribeiro dos Santos, no qual realiza um debate sobre este campo historiográfico e sua sistematização metodológica para pesquisas na área de História, apresentando suas especificidades e suas aplicações.

     

    Agradecemos pela colaboração e apoio com submissões de textos e com a frequente divulgação do periódico. Desejamos uma boa leitura a todos.

     

    Os Editores.

     

  • ISSN 2357-9145
    n. 23 (2018)

    Anunciamos que está no ar a 22ª edição da revista Boletim Historiar. Agora, contando com uma nova formação em sua equipe editorial. Gostaríamos antecipadamente de agradecer à confiança conferida pelos integrantes do GET/UFS/CNPq ao grupo que chega para assumir a responsabilidade pelo periódico nesta trajetória. Estamos cientes que nessa renovação manteremos a qualidade que sempre esteve presente em todas as edições da revista. Nesta edição, contamos com sete artigos de diversas temáticas, apresentando trabalhos que percorrem campos diferentes como a História da Polícia, História do Tempo Presente e o Ensino de História.

    Iniciamos com um artigo, escrito por Antonio Carlos Figueiredo Costa, sobre a trajetória do historiador Capistrano de Abreu. O autor analisa o papel desempenhado por Abreu na divulgação do método rankeano no Brasil e na renovação temática e metodológica dos estudos nos institutos históricos.

    Em seguida, Patrícia Marciano de Assis estuda a inserção da Chefatura de Polícia no Ceará durante o século XIX. Fazendo uso de documentos disponíveis no Arquivo Público do Ceará, a autora discute a relação entre cidade e polícia e o papel desta última como instrumento de poder no período imperial.

    No terceiro artigo, Marinilse Marina Busato e Leandro Mayer utilizam-se da história oral para realizar um estudo sobre a emigração italiana no Rio Grande do Sul e alemã no oeste de Santa Catarina. Com base na micro-história, os autores analisam os fatores que levaram a imigração italiana a expandir-se, enquanto que os imigrantes alemães da colônia Porto Novo, em Santa Catarina, abandonaram as áreas coloniais retornando para a Alemanha.

    Em outro texto, Paulo Roberto Alves Teles analisa o perfil de ativista político no século XXI. Para tanto, o autor realiza um estudo comparado dos movimentos Los Indignados, na Espanha, e Occupy Wall Street, em Nova York, ambos ocorridos em 2011 e resultantes da crise de 2008.  Nesta mesma vertente, a autora Isis Furtado Almeida, discute a imposição do véu às mulheres após a revolução de 1979 no Irã, partindo de reflexões sobre o feminismo presentes na graphic novel “Pérsopolis”, de Marjane Satarapi.

    Observando os debates sobre o Ensino de História suscitados pelo lançamento da primeira versão da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), Matheus Oliveira da Silva analisa o ensino de história idealizado pelos pesquisadores críticos da base.  Fechando a edição, Cristiane Tavares Nunes discute o papel da cibercultura como forma de relacionamento da sociedade com a informática. A autora procura compreender este ambiente como produto social do encontro entre Estado, mercado, sociedade e tecnologia.  

    Por fim, agradecemos a todos pela colaboração e apoio com submissões de textos e a divulgação do periódico. Desejamos uma boa leitura!

    Os editores.

     

     

     

     

     

  • ISSN 2357-9145
    v. 5 n. 03 (2018)

    Anunciamos que está no ar a 3ª edição de 2018 da Revista Eletrônica Boletim Historiar. Agradecemos, desde já, aos colaboradores e leitores pela apreciação e divulgação de nosso periódico. Informamos que estamos trabalhando para dar maior visibilidade à revista, indexando-a em plataformas online como o Google Acadêmico, LatinRev, Latindex, Sumario.org, Diadorim, entre outras. Em breve teremos outras novidades!

    Nesta edição, contamos com cinco artigos que abordam o ensino de história, o cinema e a história comparada. Além destes, temos ainda duas resenhas.

    Os dois primeiros artigos versam sobre o ensino de história. Dércio Reis procura identificar as representações sobre o ensino de história, no século XIX, presentes na Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Já Mônica Modesto debruça-se sobre a BNCC e as perspectivas de diálogo entre a História e a Pedagogia na abordagem de temas como o meio ambiente nos anos iniciais da Educação Básica. 

    No terceiro artigo, Priscila Fernandes discute a relação entre cinema e história e as possibilidades e usos de filmes como recurso didático e fonte histórica. Em seguida, Maria Viviane Silva analisa a censura sofrida pelo filme “O pagador de promessas” na cidade de Alagoas, em 1962, partindo das críticas da Igreja Católica a filmes que, de alguma maneira, subvertessem a moral cristã.

    No último artigo, Raquel Anne Assis discute alguns aspectos da História Comparada, apresentando reflexões a partir da revisão da literatura. Buscando, assim, apresentar ao leitor as contribuições deste campo metodológico para a historiografia.

    E, por fim, temos duas resenhas. A primeira, de Marcelo Figueiredo Silva, sobre a obra “O fim do homem soviético”, de Svetlana Aleksiévitch. E a segunda, de Marcelo Moreira Araújo, do livro “Brasil: os frutos da guerra” de Neil Lochery.

     Reiteramos nossos agradecimentos e desejamos uma boa leitura!

     Os editores. 

  • ISSN 2357-9145
    v. 5 n. 04 (2018)

    É com prazer que apresento este Dossiê sobre História Intelectual organizado por mim a convite da Revista Boletim Historiar. Os textos apresentados aqui são frutos das discussões promovidas durante o primeiro semestre de 2018 na disciplina História Intelectual latino-americana entre os séculos XIX e XX. Esta foi ministrada por mim no Programa de Pós Graduação em História Comparada da Universidade Federal do Rio de Janeiro como uma das atividades do estágio pós-doutoral que realizei nesta instituição.

                O objetivo principal do curso era estimular o debate sobre as possibilidades de análise no campo da História Intelectual, sobretudo no âmbito da América Latina e Brasil e em diálogo com áreas afins. Com o mesmo intuito reuni os textos que agora apresento. Estes artigos foram elaborados por alguns dos alunos da referida disciplina a partir de uma proposta de trabalho final. Somado a estes textos, apresento também o artigo de uma colega que realiza reflexões acerca de um diálogo entre a História Intelectual e o Pensamento Social Brasileiro.

                O campo da História Intelectual possui uma ampla diversidade de objetos, fontes, abordagens e de opções teóricas e metodológicas. Apresenta perspectivas de análise interdisciplinares e em um esforço de refletirmos sobre as possiblidades acarretadas pela confluência de tradições que configuram os estudos em História Intelectual, discutimos desde a influência da História das Ideias inaugurada por Arthur Lovejoy, passando pelas contribuições do linguistic turn e de uma revalorização da História Política[i] até chegar ao que alguns autores consideram uma Nova História Intelectual praticada na América Latina, resultante das inflexões teóricas ocorridas nas décadas de 1960, 70 e 80[ii].

                No âmbito da produção desta Nova História Intelectual latino-americana é possível destacarmos alguns pontos. Para manter a pluralidade dos processos e dos textos históricos investigados observa-se uma alternativa metodológica que aproxima a História Intelectual da Sociologia dos Intelectuais, da História Política e da Crítica Literária. Dentre os temas privilegiados por esta historiografia encontram-se: raça, nacionalismos, independências, pensamento político latino-americano, identidade latino-americana, lutas anti-imperialistas e o conflito entre identidade e modernização[iii]. Outro ponto a ser destacado seria uma predominância dos ensaios e dos ensaístas como objeto de estudo. Este aspecto está presente no artigo de Rafael Macedo da Rocha Santos que discute a influência do pensamento de Domingo Sarmiento na formação da nação argentina.

                Podemos acrescentar às características acima uma tendência de imposição de novos desafios. Neste sentido, a despeito da importância e peso dos ensaios e ensaístas para esta historiografia, trabalhos recentes têm buscado abraçar também enquanto objeto de estudo toda uma produção intelectual que circulou através de meios não tradicionais, transitando por campos relacionados à cultura popular, ao mercado, à indústria cultural e à cultura do entretenimento[iv]. Um exemplo que pode ser mencionado aqui a partir dos artigos reunidos neste dossiê é o trabalho de Stephane Ramos da Costa sobre um projeto educacional idealizado pela elite negra a frente do Renascença Clube, um espaço de sociabilidade e lazer da população negra localizado na zona norte carioca.

                No que tange mais especificamente à História Intelectual produzida no Brasil há um aspecto que consideramos importante destacar: a relação e o forte diálogo com o campo do Pensamento Social Brasileiro. O campo do pensamento social brasileiro tem se dedicado desde a década de 1980 ao estudo das tradições intelectual, social e políticas brasileiras, a partir de uma dinâmica interdisciplinar. Atualmente os estudos realizados estão muito voltados para as grandes temáticas da formação da sociedade brasileira, as diferentes modalidades de produção intelectual e a própria cultura como sistema de valores[v]. A partir do artigo de Gabriela Macedo dos Reis Corrêa sobre o intelectual brasileiro Luís da Câmara Cascudo e seus registros sobre o cotidiano do povo sertanejo na construção de uma identidade nacional podemos perceber a grande área de intersecção entre os interesses e possibilidades da História Intelectual e do Pensamento Social Brasileiro.

                O campo do Pensamento Social Brasileiro apresenta ainda uma ampla pluralidade de abordagens e os trabalhos mais recentes têm buscado sínteses que privilegiam tanto a análise de textos que pode ser genericamente associada à História das Ideias como a reconstrução de contextos, identificada à História Intelectual. Seguindo essa perspectiva analítica e propondo um diálogo teórico-metodológico entre História e Pensamento Social Brasileiro, apresento o artigo de Carolina Arouca G. de Brito que pensa a obra de Darcy Ribeiro no âmbito da antropologia brasileira a partir de uma análise combinada entre texto e atuação institucional que decodifica a estrutura científica e a agenda de pesquisas em torno da questão indígena do período.

                De modo geral os artigos reunidos neste dossiê representam algumas das características e também dos desafios apresentados a História Intelectual latino-americana. Além dos já mencionados, destacamos ainda uma importante questão enfrentada pelo historiador que tem as ideias e pensamentos como objeto privilegiado de pesquisa: a definição de intelectual. O problema da utilização e validade deste conceito em diferentes contextos históricos, e mesmo a busca pela delimitação dos contornos deste grupo social, é uma das mais árduas tarefas deste historiador. Observa-se um esforço recente no sentido de uma concepção mais ampla de intelectual considerando as práticas de mediação e incorporando agentes voltados à produção e comunicação de ideias, direta ou indiretamente vinculados à intervenção político-social[vi]. Sendo assim, encerramos apresentando o artigo que abre este dossiê e é dedicado justamente a esta questão. Neste, Iara Andrade Senra apresenta uma breve discussão sobre o conceito de intelectual, destacando o histórico do termo, as tipologias apontadas por alguns autores e a problemática sobre a prática social dos intelectuais.

     

    Atenciosamente

    Ingrid Casazza

     

     

     


    [i]  LOVEJOY, Arthur. A grande cadeia do ser: estudo da história de uma idéia. São Paulo: Palíndromo, 2005; SKINNER, Quentin. Significado y Comprensión em la história de las ideias. Prismas: Revista de História Intelectual, n. 4, 2000, p. 149-191; LACAPRA, Dominick. Rethinking Intellectual History and Reading Texts. In: Rethinking Intellectual History: texts, contexts, language. Ithaca: Cornell University Press, 1983; SIRINELLI, Jean-François-. Os intelectuais. In: RÉMOND, René. Por uma história política. Tradução: Dora Rocha. Rio de Janeiro: UFRG/ FGV, 2003.

    [ii] PALTI, Elias J. La nueva historia intelectual y sus repercusiones em América Latina. História Unisinos, 11(3):297-305, Setembro/Dezembro 2007; ALTAMIRANO, Carlos. “Ideias para um programa de História Intelectual”. Tempo Social. Vol, 17, p.9-17. 2009.

    [iii] SÁ, Maria Elisa Noronha de. História intelectual latino-americana: itinerários, debates e perspectivas. Rio de Janeiro: Ed. PUC-Rio, 2016.

    [iv] GOMES, Ângela de Castro; HANSEN, Patrícia Santos (Orgs.). Intelectuais Mediadores: Práticas culturais e Ação Política. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2016; PEREIRA, Priscila. O trabalho com revistas de humor gráfico e outros desafios para a história intelectual latino-americana, de Priscila Pereira. In.: SÁ, Maria Elisa Noronha de (org.). História intelectual latino-americana, op.cit., 2016.

    [v] SCHWARCZ, Lilia Moritz; BOTELHO, André. Simpósio: Cinco questões sobre o pensamento social brasileiro.  Lua Nova, São Paulo, 82: 139-159, 2011.

    [vi] GOMES, Ângela de Castro; HANSEN, Patrícia Santos (Orgs.). Intelectuais Mediadores, op.cit., 2016.

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