n. 15 (2016): ISSN 2357-9145

A décima quinta edição do Boletim Historiar apresenta 7 trabalhos. São textos que dialogam com diferentes campos do saber, seja priorizando o universo da cultura, a complexidade da política, o fascínio das novas tecnologias ou ainda a especificidade das relações internacionais, em todos eles encontramos o esforço inesgotável para refletir, em perspectiva interdisciplinar, sobre os mais diferentes aspectos da sociedade, sobre as identidades, conflitos e transformações no tempo presente. E em todos eles, a História é a coordenada central.

No primeiro texto, baseado na Historia Cultural e na História Intelectual, Patrícia de Sousa Nunes Silva e Josefa Eliana de Souza procuram explorar estes campos através do método da biografia coletiva. As autoras estudam intelectuais e médicos sergipanos, apresentando suas trajetórias e contribuições nas áreas da saúde e educação em Sergipe. Tratam-se de Garcia Moreno, José Machado, Garcia Filho e Nestor Piva. Para tal estudo, utilizam os conceitos de intelectual e de rede de sociabilidade na perspectiva de Jean François Sirinelli, aplicando tais ideias na vida educacional, profissional e institucional destes intelectuais.

Ainda na área de História Cultural, mas por meio da História e Cinema, Carlos Wagner Tavares da Silva estuda o filme estadunidense “A Conquista do Oeste” (How the West Was Won), produzido em 1962. O autor procura perceber como os norte-americanos tentaram transmitir sua cultura através de produções cinematográficas sobre a conquista do Oeste no século XIX.

Ainda no campo da História Cultural, mas agora através da literatura, Caroline Moema Dantas Santos analisa a obra “Alexandre e Outros Heróis” de Graciliano Ramos, publicada em 1944. Trata-se de um livro infanto-juvenil que procura retratar o cenário nordestino, mais especificamente o alagoano, onde o autor nasceu. Assim, a autora identifica como em “Alexandre e Outros Heróis” é descrito o Nordeste da década de 1930, suas questões políticas e sociais e sua identidade regional. Santos percebe, desta forma, uma relação entre o tempo dos personagens e o tempo do autor, isto é, como a ficção e a realidade sociopolítica de Graciliano Ramos se misturam.

Em seguida, Diego Leonardo Santana Silva apresenta e descreve a história da internet como um produto da Guerra Fria, e as transformações causadas no cotidiano com o advento do ciberespaço. O autor reflete sobre como os meios digitais possibilitaram o surgimento de um novo modo de viver em sociedade, possibilitando facilidades, como a o acesso as informações de forma mais rápida, mas também com alguns perigos, como ações criminosas praticadas nas redes. O trabalho se encaixa no campo historiográfico da Digital History através do estudo de uma História do Tempo Presente com foco na cibercultura e sua inserção nas transformações culturais.

Outro campo historiográfico presente nesta edição é a História Política. Isso pode ser verificado no artigo de Carla Darlem Silva dos Reis que analisa a transição presidencial entre o governo de Jânio Quadros e João Goulart em 1961, a chegada deste ao poder em meio às oposições e conflitos e como neste cenário foi orquestrado o Golpe Civil-Militar de 1964. A autora observa como jornais de amplitude nacional e regional influenciaram a formação do pensamento político brasileiro se posicionando politicamente e ideologicamente conforme os ideais daqueles que eram responsáveis por tais periódicos. Portanto, Reis procura verificar como os meios de comunicações são ferramentas utilizadas nos jogos políticos para desconstruir a ideia de que são apolíticos e imparciais.

Por fim, temos ainda duas resenhas que contribuem na área das Relações Internacionais. A primeira é de Adriana Mendonça Cunha sobre a obra “Brasil: os frutos da guerra” de Neill Lochery. A segunda resenha é de Gabriela Rezendes Silva do livro “Sudamérica: Infraestructura e Integración – la Hidrovía Paraná-Paraguay” da pesquisadora argentina Laura Maira Bono.

Agradecemos a todos pela colaboração e apoio com submissões de textos e com a frequente divulgação do periódico. Desejamos uma boa leitura.

 

 Os editores.

 

Publicado: 2016-09-04