JUSFEMINISMO E LITERATURA: A MULHER TRABALHADORA EM BRECHT

Resumo

O presente trabalho tem como premissa estrutural e metodológica a relação interdisciplinar entre direito, literatura e teatro. Através da obra do dramaturgo, diretor e escritor alemão Bertold Brecht, especificamente, da peça A Santa Joana dos Matadouros, serão articuladas abordagens jusfeministas para pensar a mulher trabalhadora. Por meio da fenomenologia-existencial, o direito é aqui pensado em sua narratividade, intertextualidade e intersubjetividade, não como um fim em si mesmo, mas como uma dinâmica dialética e histórica de relações humanas. A arte é para Brecht um espaço científico (PEIXOTO, 1974), assim como os estudos em direito e literatura são caminhos humanistas de encontro com o outro (GONZALEZ, 2016). Este lugar de alteridade coloca o leitor-espectador ao lado da Joana Dark brasileira, por meio do reconhecimento crítico do modo de produção capitalista e da divisão sexual do trabalho. A desigualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho é uma fratura exposta, onde ao homem cabe o prestigio e a produtividade e à mulher a exaustão, a inferioridade e a mera reprodutividade (CISNE, 2015).

Palavras-chave: Bertold Brecht. Estética jusliterária. Mulher trabalhadora. Capitalismo. Divisão sexual do trabalho.

Biografia do Autor

Kelly Helena Santos Caldas, Universidade Federal de Sergipe - UFS

Mestranda em Direito (UFS). ResearcherID: ABG-2288-2020.

Míriam Coutinho de Faria Alves, Universidade Federal de Sergipe - UFS

Professora do Departamento de Direito (UFS). Doutora em Direito (UFBA). ResearcherID: ABG-2534-2020.

Tâmis Hora Batista Fontes Couvre, Universidade Federal de Sergipe - UFS

Mestranda em Direito (UFS). ResearcherID: ABG-2279-2020.

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Publicado
2020-07-31
Seção
Leituras literárias compartilhadas