DESMITIFICANDO OS VALORES DA MATERNIDADE EM ELISA LISPECTOR

Resumo

O presente trabalho propõe discutir a subversão da maternidade no livro O Muro de pedras, de Elisa Lispector, publicado em 1963. Nesse romance, por meio da protagonista Marta, a autora problematiza a condição feminina e a maternidade, apresentando uma mulher que demonstra sentir um grande vazio existencial e uma certa incredulidade na vida que pode ser percebido por meio do sentimento de tristeza e de solidão presentes na narrativa, que a arrasta para um possível sentimento de desajuste diante do mundo.  Para essa investigação, recorreremos à algumas reflexões presente na Crítica Literária que analisam os valores da maternidade como em Elisabeth Badinter, a qual amplia o debate sobre o papel da mulher na criação dos filhos, desmistificando as convenções criadas na sociedade. Também investigamos teorias que discutem a condição feminina e a representação da mulher na contemporaneidade, como o caso de Nádia Batella Gotlib e Mary Del Priore, dentre outras temáticas que auxiliarão na análise do objeto aqui investigado. Com isso, reinserimos Elisa Lispector no cenário literário brasileiro, almejando um olhar ressignificador acerca de sua escrita.

PALAVRAS CHAVES: Feminino. Maternidade. Elisa Lispector.

Biografia do Autor

Patrícia Lopes da Silva, Universidade Estadual de Montes Claros – Unimontes

Doutora em Estudos Literários pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Atualmente integra o corpo docente da Universidade Estadual de Montes Claros – Unimontes.

Referências

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Publicado
2020-10-28