FARIA E SOUSA, A FORTUNA E O DISCURSO INCRIMINATÓRIO

Palavras-chave: Literatura Portuguesa, Retórica, União Ibérica, Século 17, Crimes

Resumo

Na década de 1640, Manuel de Faria e Sousa (1590-1649) compôs a sua Fortuna (...), relato de vida em que o escritor narra em primeira pessoa a sua corrente de trabalhos, estribado na condição de secretário de notáveis senhores da corte de Filipe IV. Nela, o letrado português apronta uma defesa de conduta que, ao mesmo tempo, desata numa contundente acusação contra Manuel de Moura Corte Real, embaixador de Espanha em Roma, a quem o escritor atribui a autoria de uma série de delitos e torpezas contra o bem comum. O presente texto visa a estudar parte dos recursos retóricos aplicados no papel seiscentista, na exposição dos supostos crimes cometidos pelo aristocrata luso-espanhol.

Biografia do Autor

Mauricio Massahiro Nishihata, Universidade de São Paulo - USP

Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo; Integrante do grupo Poligrafaria: La polygraphie dans l’aire ibérique: écrits et figure de Manuel de Faria e Sousa (1590-1649). Este texto é um desdobramento de uma exposição oral apresentada no II SILC, no simpósio “Articulações entre doenças, crimes e textos literários”, transcorrido em 11 de agosto de 2021.

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Publicado
2021-11-20