ÉTHOS, CORPO, IRONIA E UMA POLÍTICA DA ESCRITA DO DEFUNTO AUTOR DE MACHADO DE ASSIS

  • Luciana Antonini Schoeps

Resumo

Este artigo apresenta uma leitura não tradicional da ironia machadiana, visando entrever, através da análise do manuscrito de Esaú e Jacob e do romance Memórias póstumas de Brás Cubas, aspectos enunciativos que problematizam a ironia, contemplando-a como um efeito de leitura advindo de determinado éthos construído por uma voz narrativa que permite a suspensão de seu sentido. Tal movimento é possível a partir de uma relação específica com o literário vinda à tona nas encenações enunciativas presentes nas obras, que dão lugar ao famoso defunto autor, estudado por Baptista, propiciando reflexões acerca da presença do corpo, da voz da literatura e da autoria que questionam o estatuto do literário, esboçando-se uma política da escrita pautada em uma partilha do sensível, segundo as noções de Rancière.