Precarização do trabalho em Os Corumbas de Amando Fontes

  • Luiz Henrique Pimenta Quintela Universidade Federal de Sergipe
  • Valfran Andrade Barbosa Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos

Resumo

Através de uma pesquisa histórica e bibliográfica, o presente artigo aponta de que modo a precarização do trabalho tem acompanhado o homem desde os primórdios das relações laborais. Notar-se-á, que as mazelas ali incrustadas acabam por se repetir ao longo dos anos, ganhando, contudo, novas facetas, que acabam por levar, num primeiro olhar, a uma ideia de dignidade do trabalhador, mas que, após uma análise mais aguçada, demonstra a gritante disparidade entre os envolvidos em tais relações, quais seja, empregados e empregadores. Da análise da obra Os Corumbas, de Amando Fontes, datada da década de 30 do século XX, verificar-se-á situações de trabalho análogas às de escravidão e/ou forçado, escravidão esta, ainda presente nos dias de hoje, passados quase 100 anos.

Biografia do Autor

Luiz Henrique Pimenta Quintela, Universidade Federal de Sergipe
Graduado em Administração e Psicologia, Mestre em Ciências da Propriedade Intelectual.
Valfran Andrade Barbosa, Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos

Procurador da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. Especialista em Direito e Processo do Trabalho, Especialista em Direito Público, Bacharel em Direito

Referências

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Publicado
2020-02-07
Como Citar
QUINTELA, L. H. P.; BARBOSA, V. A. Precarização do trabalho em Os Corumbas de Amando Fontes. Ponta de Lança: Revista Eletrônica de História, Memória & Cultura, v. 13, n. 25, p. 169-183, 7 fev. 2020.