A racionalização urbana e o impacto dos espaços fortificados nas dinâmicas sociais da cidade

Palavras-chave: Cultura da diferença, Cultura do consumo, Espaços fortificados, Racionalização

Resumo

Abstract

The present work is part of a discussion agenda that approaches notions related to the sociology of cities, involving the observation of the rationalization of everyday urban life, where the principles that underlie the established order are perceived in different social instances, through the transformations interpersonal relationships generated by increased social restriction and individualization. We intend to discuss the issue of difference and otherness based on the observation of the rationalization of cities and the consequent imposition of consumer culture, interwoven with the use and occupation of urban spaces by architectures that give rise to fortifications, such as shopping centers, shopping centers, gentrified spaces, closed residential condominiums, among others, that make up our object of study. Methodologically, the work is based on the contextualization of the culture of difference and social coexistence in large cities in Latin America, based on the critical references of today and on the observation, in recent years, of the proliferation of constructions of fortified spaces. We emphasize that the fortified space that constitutes modern borders based on consumption patterns implies the creation of new urban ways of life, characterized as a form of power that aims to eliminate the different and the unwanted, however living in the same fortified space does not seem to guarantee the sociocultural experience, since the differences and strangeness are not different.

Keywords: Rationalization. Difference culture. Consumer culture. Fortified spaces.

O presente trabalho insere-se numa agenda de discussões que tem como abordagem as noções ligadas à sociologia das cidades, envolvendo a observação da racionalização da vida cotidiana urbana, onde os princípios que fundamentam a ordem estabelecida são percebidos nas diferentes instâncias sociais, através das transformações das relações interpessoais geradas pelo aumento da restrição social e individualização. Portanto, pretende-se discutir a questão da diferença e da alteridade a partir da observação da racionalização das cidades e consequente imposição da cultura de consumo, imbrincada no uso e ocupação de espaços urbanos por arquiteturas que ensejam fortificações, como shoppings centers, centros comerciais, espaços gentrificados, condomínios habitacionais fechados, dentre outros, que compõem o nosso objeto de estudo. Metodologicamente, o trabalho se baseia na contextualização da cultura da diferença e convivências sociais nas grandes cidades da América Latina, a partir dos referenciais críticos da atualidade e na observação, nos últimos anos, da proliferação de construções de espaços fortificados. Salientamos que, o espaço fortificado constituinte de fronteiras modernas alicerçadas em padrões de consumo implica na criação de novos modos de vida urbano, caracterizado como uma forma de poder que objetiva eliminar o diferente e o indesejado, contudo viver em um mesmo espaço fortificado parece não garantir a experiência sociocultural, já que as diferenças e estranhezas não se estinguem.

Palavras-chave: Racionalização. Cultura da diferença. Cultura do consumo. Espaços fortificados.

Biografia do Autor

Cristiano Ricardo de Azevedo Pacheco, Universidade de Coimbra/ Universidade Federal de Sergipe

Doutorando em Sociologia - Cidades e Culturas Urbanas – FEUC/ Coimbra (cotutela) e Programa de Pós-Graduação em Sociologia – PPGS/ UFS

Bolsista CAPES

Mestre em Sociologia - Universidade Federal de Sergipe (UFS)

Arquiteto e Urbanista, Especialista em Gestão de Cidades e Planejamento Urbano

Membro investigador do Laboratório de Estudos Urbanos e Culturais (LABEURC) da UFS.

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Publicado
2020-07-20
Como Citar
PACHECO, C. R. DE A. A racionalização urbana e o impacto dos espaços fortificados nas dinâmicas sociais da cidade. Ponta de Lança: Revista Eletrônica de História, Memória & Cultura, v. 14, n. 26, p. 70 - 84, 20 jul. 2020.