Vestígios de Lampião no Sertão do São Francisco: os cangaceiros de Paulo Afonso – BA

Palavras-chave: Cangaceiros de Paulo Afonso, Cangaço, Memória, Rio São Francisco, Paulo Afonso

Resumo

Este artigo aponta para a apreensão e memorização dos vestígios deixados por Lampião e seus cangaceiros na região do sertão do Rio São Francisco, área frequentada pelo cangaceiro a partir de 1928, particularmente na cidade de Paulo Afonso - BA. Entendo que o cangaço lampiônico, caracterizado pelo nomadismo, mobilidade e ubiquidade, engendra uma forma de memorização similar à sua atuação, que denomino de memória espectral. Lampião, como um espectro, esteve presente em locais por onde não passou e na vida de pessoas que não conheceu, deixando vestígios materiais e imateriais de sua passagem. Os Cangaceiros de Paulo Afonso, grupo de homens e mulheres que se trajam de cangaceiros e volantes durante o carnaval, significam os vestígios imateriais do cangaço ao dar vida a uma narrativa criada com base em suas experiências com o fenômeno. Com o passar dos anos e gerações, a narrativa tornou-se um outro cangaço, mantendo elos com o fenômeno histórico, mas que adquiriu seus próprios contornos. Assim, o grupo memoriza o cangaço através da vivência de suas memórias.

Biografia do Autor

Isabela Mouradian Amatucci, Universidade de São Paulo

Mestre em História Social pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo

Referências

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Publicado
2021-01-27
Como Citar
MOURADIAN AMATUCCI, I. Vestígios de Lampião no Sertão do São Francisco: os cangaceiros de Paulo Afonso – BA. Ponta de Lança: Revista Eletrônica de História, Memória & Cultura, v. 14, n. 27, p. 171 - 189, 27 jan. 2021.