Negociações, conflitos e omissões: a construção de memórias em torno da Usina Hidrelétrica Luiz Gonzaga (1979 - 1988)

Palavras-chave: Trabalhadores Rurais., Hidrelétrica, Discurso, Identidade

Resumo

O presente artigo, valendo-se dos aportes teóricos-metodológicos da História Social, possui como objetivo analisar os discursos acerca da “paternidade” dos reassentamentos originários da construção da Usina Hidrelétrica Luiz Gonzaga, localizada em Petrolândia, PE, região do submédio São Francisco. Para esse fim, foi empregado a abordagem da história do discurso, com a observância dos elementos dispostos por Barros (2013), como primordiais para tal fim: intratexto, intertexto e contexto. Além do mais, conta com a operacionalização dos conceitos de memória, identidade e poder, como uma tríade constituinte desses discursos. E resultou na identificação de discursos divergentes entre os trabalhadores rurais e a Companhia Hidrelétrica do São Francisco, em que cada qual se apresenta obedecendo a sua instituição e aos seus interesses, expondo e omitindo situações.

 

 

Biografia do Autor

Pedro Abelardo de Santana, Universidade Federal de Alagoas

Doutor em História Social, UFBA;

Professor de História da UFAL; colaborador nos programas de pós-graduação PROHIS-UFS, PPGH-UFAL.

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Publicado
2021-01-27
Como Citar
DO NASCIMENTO SILVA, M. M.; DE SANTANA, P. A. Negociações, conflitos e omissões: a construção de memórias em torno da Usina Hidrelétrica Luiz Gonzaga (1979 - 1988). Ponta de Lança: Revista Eletrônica de História, Memória & Cultura, v. 14, n. 27, p. 190 - 210, 27 jan. 2021.