n. 18 (2015): Edição Número 18 - Horizonte de Expectativas - ISSN: 2179-2143

Cadernos do Tempo Presente

Revista Interdisciplinar de História

Grupo de Estudos do Tempo Presente - UFS

Edição nº 18, janeiro de 2015

 

O tempo avança implacavelmente e as convenções nos fazem refletir sobre a virada de ano e as ricas experiências que este 2014 nos deixou para refletir. Um ano intenso para o país, que começou relembrando os 50 anos do Golpe Militar, passou por um dos mais concorridos megaeventos da atualidade, a Copa do Mundo de futebol, e, para agitar ainda mais o “meio de campo”, vivenciou outro processo de campanha eleitoral em sua ainda jovem democracia.

Tudo combustível para mais um ano de reflexões em que o Cadernos do Tempo Presente espera poder continuar contribuindo. Para saudar o novo ano, com horizonte aberto de expectativas, vamos de número novo, alcançando nossa 18ª edição e reafirmando a diversidade temática e disciplinar de nossa revista.

Abrindo os trabalhos, temos uma contribuição do italiano Jacopo Bassi sobre o papel desempenhado pela Igreja ortodoxa albanesa durante a primeira fase da Guerra Fria, nos primeiros anos após a Segunda Guerra Mundial, quando, segundo o autor, a igreja agiu como um verdadeiro instrumento político e diplomático do Partido Comunista albanês.. Em seguida, temos um provocativo artigo de Daniel Chaves sobre o a história contemporânea do Platô das Guianas em perspectiva comparada, abordando os processos de colonização, descolonização e afirmação do que hoje é denominado República Cooperativa da Guiana, Guiana Francesa e Suriname após as Grandes Guerras. Pegando um viés na seara dos debates sobre etnias, temos um texto a quatro mãos escrito na Bahia. Wellington Amancio da Silva e Juracy Marques dos Santos nos provocam com uma discussão sobre a educação indígena e os movimentos sociais. Os autores investem em um reforçado quadro teórico da Sociologia e Filosofia da Educação para discutir, por um paradigma de pedagogia crítica, as experiências de alteridade positiva e de uma educação engajada que corresponda às demandas da comunidade em questão.

Voltando à história e à reflexão da própria disciplina no recorte do tempo presente, o trabalho de Sara Oliveira Farias, logo na sequência, se debruça sobre os significados da memória e seus usos, explorando a relação da história oral com a História do Tempo Presente, a partir da experiência de trabalhadores e ex-trabalhadores de uma mineradora multinacional nos anos 1980 e 1990, na Bahia.  No quarto artigo, Joaquim Tavares da Conceição apresenta uma reflexão histórica sobre a permanência, configuração e características dos colégios internatos em Sergipe, na primeira metade do século XX, traço marcante da cultura escolar sergipana que pode revelar muitos aspectos da sociedade de um tempo.

Tendo já dialogado com a antropologia e a história oral, vamos a um trabalho de história cultural, colaboração de Marcello Carreiro sobre cinema e construção identitária, em que o autor recupera os exemplos de dois longa-metragens dos anos 1980. Por fim, após termos passeado por distintas abordagens para a história contemporânea, apresentamos o texto da socióloga venezuelana Nadeska Silva Querales que encerra a seção de artigos desta edição com uma discussão sobre  a CELAC e o projeto de integração regional que surge em resposta à necessidade de articulação entre os Estados membros.

Para não perder o costume, nossos Cadernos contam ainda com as resenhas de duas obras. Na primeira, Lucas Gaspar trata da obra O impasse da Política Urbana no Brasil, de Erminia Maricato (Vozes, 2012). Neste livro a autora chama atenção para a atual estagnação, política e acadêmica, da agenda pautada pela redemocratização. Gaspar nos convida a ler Maricato para conhecer as contradições de nossa política urbana atual, especialmente destacando o lugar de fala da autora e sua atuação durante os governos Lula e na criação do Ministério das Cidades. A segunda resenha e último texto da vez é assinado por Herculanun Ghirello-pires, que mais uma vez percorrendo nos sugere observar o universo urbano, mas agora pela perspectiva de Rosane Feijão em Moda e Modernidade na belle époque carioca (Estação das Letras e Cores, 2011), que nos leva de volta ao início do século XX, com enfoque específico na cidade do Rio de Janeiro, então capital da república brasileira.

Desejamos a todos uma boa leitura e até a próxima!

Os Editores

Publicado: 2015-01-10