n. 02 (2012): ISSN 1981-3384

UM NOVO TEMPO PRESENTE

 

Por Prof. Dr. Dilton Cândido S. Maynard

Universidade Federal de Sergipe

A Revista Eletrônica do Tempo Presente chega a mais uma edição. Seguindo a linha editorial pautada pela qualidade e diversidade de trabalhos, autores e perspectivas, este volume apresenta uma animadora distribuição geográfica. O esforço dos integrantes do TEMPO/UFRJ em estabelecer parcerias, consolidar redes, iniciar projetos de cooperação se reflete nas contribuições recebidas para este número.

Abrindo os artigos, o professor Samuel Cohn, da “Texas A and M University” analisa a formação do Tea Party, o polêmico movimento da Direita norte-americana. Em seguida, temos o texto de Jaílson Pereira da Silva, da Universidade Federal do Ceará (UFC) que reflete sobre as produções fílmicas brasileiras oriundas da chamada “Retomada” do cinema nacional e suas interpretações sobre os tempos da ditadura (1964-1985).

As discussões sobre golpes de Estado acabam retornando diante da crise vivida pelo Paraguai, evidenciada pela deposição do presidente Fernando Lugo. Percorrendo um caminho um pouco mais longo que os tumultuados dias antecedentes à queda do político paraguaio, Vanderlei Vazelesk Ribeiro, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), propõe uma análise cuidadosa das tensões agrárias no país vizinho, estabelecendo uma fina sintonia entre os recorrentes conflitos no campo e a queda de Lugo. Analisado uma outra importante queda, em período um pouco mais anterior, o texto “Egypt: the first internet revolt? de Xiaolin Zhuo, Barry Wellman, and Justine Yu”, originalmente publicado na revista Peace Magazine, é aqui reproduzido. Agradecemos aos autores, por concordarem que a nossa publicação é o lugar ideal para apresentarem ao público sul-americano suas propostas sobre os conflitos que conduziram à queda de Hosni Mubarak em 2011.

Por sua vez, o artigo “Dangerous Liaisons: Dag Hammarskjöld e o Congo de 1960/61”, de Tereza Cristina Nascimento França (Universidade Federal de Sergipe), aborda as ações de Dag Hammarskjold, o segundo Secretário Geral da ONU, na tentativa de trazer paz ao Congo entre 1960-61, esforço este que resultou em sua morte. Também tratando de um importante personagem do período da Guerra Fria, Sidnei Munhoz (Universidade Estadual de Maringá) analisa a trajetória e as ideias de George Frost Kennan diante da política externa norte-americana. Munhoz evidencia a relevância de Kennan, diplomata de carreira e profundo conhecedor da sociedade soviética, como o arquiteto da chamada “Doutrina da Contenção”, eixo basilar da política externa dos EUA durante a Guerra Fria.

O último artigo é, sem dúvida, um dos mais provocadores. Como estão os livros didáticos de História quando o assunto é o tempo presente? Até que ponto o espaço gradativamente ampliado da historiografia e investigações sobre o assunto tem se convertido em uma discussão de maior e melhor qualidade em nossos currículos e manuais? As respostas oferecidas pelo texto de Itamar Freitas (Universidade Federal de Sergipe) e Jane Semeão (Universidade Regional do Cariri) certamente inquietarão alguns leitores.

Esta edição é completada por duas resenhas. A primeira delas, assinada por Igor Lapsky (TEMPO), analisa o livro “The White of their eyes: the Tea Party´s revolution and the battle over American history”, de Jill Lepore, enquanto Andreza Maynard (UNESP) produz uma apreciação do “A idade de ouro: história da busca da felicidade”, de George Minois.

Finalmente, ressaltamos os nossos agradecimentos à Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) e ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) que, através do projeto “Caminhos da Integração Sul-Americana”, tem apoiado as iniciativas do Laboratório de Estudos do Tempo Presente da Universidade do Brasil / UFRJ.

Publicado: 2015-09-19